Os 25 segredos de Santa Faustina

Espiritualidade · Alexandre Augusto Tavares, 2021-08-12

Os 25 segredos de Santa Faustina

Faustina Kowalska é uma religiosa polonesa, a quem Jesus fez diversas revelações, anotadas pela mística em seu Diário. Em junho de 1938, Jesus a convidou para um retiro espiritual, no qual lhe ensinou estas 25 estratégias de luta para progredir na virtude:

Nunca confies em ti, mas entrega-te inteiramente à minha Vontade.

Confiar em si mesmo é um ato de orgulho e desligamento de Deus. Este conselho de Jesus ressalta o fato de que, como consequência dos desequilíbrios introduzidos em nós pelo pecado original e pelos nossos próprios pecados, o ser humano é incapaz de perseverar no bem sem a ajuda de Deus.

Todo o bem que há em nós resulta de uma ação divina. Somos incapazes de fazer o bem, de ser bons por nossa própria força e virtude. Mas, infelizmente, criados “à imagem e semelhança de Deus”, temos uma tendência a nos julgarmos deuses, a gostar de decidir e fazer tudo confiando somente em nossa “semelhança” com o Criador.

Entretanto, como disse Santo Agostinho, somos semelhantes com “dissemelhança”. Ou seja, “semelhante” não é “igual”, e na comparação com Deus, essa desigualdade tem proporção infinita. Por isso, nossa vontade nos leva a tomar decisões e atitudes erradas, prejudiciais.

Todo o nosso orgulho e egoísmo está concentrado em nossa vontade. E o jeito de se livrar desse malefício é renunciar a essa vontade desequilibrada e submeter-se à vontade de Deus, em tudo.

Tratamos deste tema com mais profundidade no e-book com o link O caminho da perfeição.

Na desolação, nas trevas e diversas dúvidas, recorre a Mim e ao teu diretor espiritual; ele te responderá sempre em meu Nome.

Jesus declarou-se “o caminho, a verdade e a vida”, dizendo que “ninguém vai ao Pai senão por Ele” (Jo 14,6). E Pedro teve de reconhecer: “A quem iremos, se tu tens palavras de vida eterna?” (Jo 6,68) Jesus é um caminho seguro, e é o único caminho que leva ao Pai.

Deus nos mostra, sim, o caminho que devemos percorrer: fazer a vontade d’Ele. E esta vontade se manifesta através dos Mandamentos, das nossas obrigações e até de acontecimentos corriqueiros do dia a dia.

Mas Jesus acrescentou como manifestação de sua divina Vontade o conselho do diretor espiritual. Em nosso dias tem gente que nem sabe o que é direção espiritual, de tal modo este hábito foi abandonado. Aliás, que padre está apto hoje a dirigir almas?! A grande maioria deles não sabe nem se dirigir...

A sã doutrina está a cada dia mais relativizada, e o empenho dos católicos para empreender um caminho de progressos na virtude foi substituído por um relaxamento moral que não precisa de direção; ou simplesmente se deixa dirigir pela moda e pela mídia. Ademais, o liberalismo moderno afasta as pessoas da confissão e direção espiritual, como se cada um fosse o único condutor de si mesmo.

Esse individualismo é altamente prejudicial no tocante ao progresso espiritual da virtude, pois se trata de um caminho com inúmeras armadilhas e dificuldades, que a Igreja veio estudando desde a época de Cristo. Todo esse conhecimento é difícil de ser adquirido por estudos individuais. Daí a necessidade de um diretor experiente para indicar ao dirigido caminhos seguros, a ponto de Jesus dizer que “ele responderá sempre em meu Nome”.

Não comeces a discutir com nenhuma tentação; encerra-te logo no Meu Coração.

“Discutir com tentação” significa responder com pensamentos e raciocínios às sugestões do demônio, para dar argumentos contrários à tentação. Com o demônio não se fala: simplesmente desvia-se o pensamento. Mas para que consigamos fazer isto facilmente é importante não ter o hábito de deixar pensamento e imaginação soltos, divagando, alimentando na mente ideias e sentimentos que podem ser influenciados pelo demônio.

Algumas pessoas acreditam ser impossível controlar e até parar o pensamento e a imaginação. Mas sim, é possível, e devemos nos educar nisto! Não haverá pensamento “intrusivo” se nos habituarmos ao controle da nossa mente. Talvez seja necessário um “diretor espiritual” para te instruir nisto, pois este controle não pode ser adquirido sem a intimidade com Deus.

Importante ressaltar o “não comeces”. Toda tentação tem um início, às vezes sutil, que nem parece tentação. É uma estratégia do maligno para “começarmos” uma discussão em que ele pretende nos guiar. Porque uma vez que abrimos o nosso pensamento e a nossa imaginação para a influência do demônio, ele consegue nos levar facilmente para onde quer.

Então, o conselho de Jesus é que vigiemos para sequer começar a conversar com a tentação. Porque uma vez metidos numa conversa (discussão), o inimigo já passou dos pensamentos para a imaginação, tocando mais facilmente a nossa sensibilidade, o que dificulta-nos sair daquele engajamento.

Quanto antes a tentação for detectada e interrompida, mais fácil nos livramos dela, menos força o demônio vai ter para tentar-nos novamente naquele assunto. Um jeito rápido e eficaz para nos livrar de uma tentação é a linda solução apresentada por Jesus: “Encerra-te no meu Coração.” Coração é o símbolo da Vontade, onde reside o Amor.

Encerrar-se é fechar-se, como entrar e fechar a porta. Obviamente não se trata de uma entrada física no Coração de Jesus. Não mesmo? Para a mente humana não existe distinção entre a realidade e a imaginação ou simplesmente o desejo, que pode se manifestar em forma de uma imperceptível intenção.

Tudo o que “intencionamos” (mesmo inconscientemente), desejamos ou queremos (expressamente) torna-se “real” para o nosso cérebro. Quando sentimos, por exemplo, uma saudade de algo bom que nos aconteceu no passado, com um desejo estar revivendo aquilo no presente, nosso cérebro assimila como algo de “está” acontecendo.

Mas como lhe chegam, ao mesmo tempo, informações de que “não está” acontecendo, cria-se em nossa mente uma contradição, entre a realidade e o anseio. E esta dicotomia provoca desequilíbrio, pois, para a nossa natureza, uma coisa não pode ser e não ser ao mesmo tempo.

Então, quando imaginamos, desejamos ou ─ mais sutilmente ─ “intencionamos” estar envolvidos pelo Coração de Jesus, ali protegidos dentro d’Ele, isto se torna para a nossa mente uma realidade, sem contradição com a verdade, pois o Espírito de Jesus realmente nos envolve. Fujamos, pois, das tentações e nos encerremos no Sagrado Coração de Jesus!

Na primeira oportunidade, conta-a ao confessor.

Uma tentação é mais forte quando fica em segredo entre o tentador e o tentado: revelar é tirar-lhe o poder. Eis aí um dos grandes benefícios da confissão e da direção espiritual.

Coloca o amor-próprio em último lugar, para que não contagie as tuas ações.

Este quinto conselho reforça o primeiro. O amor-próprio mora na vontade, e é contrário ao amor de Deus. Para evitá-lo, devemos pôr em último lugar a nossa vontade própria, buscando fazer antes o certo, a obrigação, a vontade dos outros, bem como nos submetermos docilmente aos acontecimentos ─ adversos ou favoráveis ─, como sendo a manifestação da vontade de Deus.

Não nos apeguemos aos nossos planos, estejamos sempre atentos e dispostos a interrompê-los, mudá-los e adaptá-los conforme as necessidades. Como disse Kempis, “o homem propõe e Deus dispõe”. Não é fácil estar assim sempre aberto a adaptações, pois nosso amor-próprio quer cumprir à risca os seus planos e desejos. Mas no caminho da santidade não é assim; ser conduzido por Deus é o ideal.

Leia mais sobre isto, acessando o link do artigo Non duco, ducor.

Com grande paciência, suporta-te a ti mesma.

Tentar fazer ser bom por nossa própria virtude dá em fracasso, que dá em desânimo e impaciência. Por outro lado, abandonar a nossa vontade e começar a fazer a vontade de Deus é um caminho árduo, que exige grande paciência.

Não desanimemos diante desta dificuldade: saibamos que somos errados, pecadores, imperfeitos, ignorantes, maus, sujos, etc., e que da nossa parte é “normal” isto. Reconheçamos inclusive esta dificuldade de nos desfazermos do nosso amor-próprio e nos entregarmos sinceramente à vontade de Deus.

E nesta luta, mantenhamos nos lábios o sorriso mesmo quando estivermos atolados na lama. Sim, ali caídos, sujos, olhemos para Jesus e esbocemos um sorriso filial, estendendo-Lhe a mão para que nos ajude a levantar, tantas vezes quantas cairmos. Humildade e paciência se voltarão assim a nosso favor, pois Deus se compadece dos humildes e pacientes, como demonstra Jesus neste conselho a Santa Faustina.

Não descuides as mortificações interiores.

Mortificação vem da palavra morte. Mortificar é fazer morrer, sumir, desaparecer tudo aquilo que nos afasta da vontade divina. Uma pessoa mortificada fez morrer em si o “homem velho” de que falava o Apóstolo, dando lugar ao nascimento do “homem novo” mortificado pelas virtudes.

Podemos nos mortificar no corpo (jejuns, abstinências, sacrifícios físicos) e na alma (dobrando nossa vontade e controlando nossos pensamentos e sentimentos). Como a vontade é o objeto principal da união com Deus, ela é que será o principal foco da mortificação.

Por isso Jesus fala das “interiores”, inclusive porque, sem elas, as mortificações exteriores são de pouca ou nenhuma valia. O conselho é, novamente, para nos adaptarmos à vontade divina, manifesta nas vontades dos outros, nas regras, nos Mandamentos, nos conselhos do Evangelho e no ensinamento da Igreja, nas ordens dos superiores e nos acontecimentos.

Justifica sempre em ti, o juízo dos superiores e do confessor.

Justificar é empregado aqui no sentido de “conferir, corrigir, adaptar”. Isto é, moldar-se à vontade (“juízo”) dos superiores e do confessor. É a virtude da obediência, sinal evidente de humildade. Em nossos dias somos educados a uma falsa “liberdade”, igualitária, que não obedece nada nem ninguém; não tolera superiores nem ordens. Isto nos afasta de Deus, que hierárquico por natureza, refletindo de forma magnífica em toda a criação, a desigualdade das criaturas.

Foge dos que murmuram, como se da peste.

Peste é doença grave e contagiosa, como grave e contagiosa é a murmuração. Reclamar da vida e das pessoas é uma especialidade de pessoas vazias de Deus e cheias de amor-próprio. E isto contagia... Não aceitemos ouvir queixas de pessoas pouco mortificadas. Fujamos!

Deixa que todos procedam como lhes aprouver; age tu antes como estou a exigir-te.

Existe um movimento natural no ser humano, de buscar uma semelhança de atitudes com os seus próximos. Quando nos vemos convidados a fazer uma mudança em nossa maneira de ser, para nos adaptarmos à vontade de Deus, vem-nos um desejo de que as pessoas com quem convivemos também façam aquela mudança. Talvez este fenômeno esteja ligado a um medo de mudar sozinho e ficar “diferente”, isolado.

Fugir da moda, dos costumes do mundo, das práticas habituais das pessoas (mesmo que errôneas) nos causa uma sensação de rejeição ou abandono por parte da sociedade. Então, instintivamente, ao mudar algo em nós, queremos em seguida mudar aquilo também nos outros. Mas o conselho de Jesus aqui é de não fazermos isto; pelo contrário, devemos “deixar que sejam como quiserem”.

Não queiramos controlar os demais, nem assumir para eles o papel de Deus, pois também isto é orgulho e falta de humildade. Jesus chama cada um a seu tempo e do seu jeito divino; não nos convém corrigi-los para que sejam como nós. Cada um é responsável diante de Deus por sua própria vida. Ficar preocupado com os outros neste caso é um tipo de mundanismo: saímos do mundo, mas queremos que ele seja como nós.

Observa a Regra o mais fielmente possível.

A Regra é o conjunto de normas da ordem religiosa à qual Faustina pertencia. Regras são como um acréscimo aos Mandamentos. Mas todos nós temos as nossas regras: leis de trânsito, leis municipais, estaduais e federais; normas no trabalho; regras de como se comportar em diversos ambientes; normas de autoridades religiosas, etc.

E sempre que uma regra não for diretamente contrária aos Mandamentos, será para nós a vontade de Deus. Por isso, Jesus cumpriu as regras dos judeus e inclusive as dos romanos, como pagar impostos, ser preso, interrogado e condenado à morte, vendo nesta obediência a “vontade do Pai”.

Se experimentares dissabores, pensa antes no que poderias fazer de bom pela pessoa que te faz sofrer.

A reação natural de quem se vê incomodado por uma contrariedade é de impedir imediatamente a causa do dissabor. Aqui o conselho de Jesus é não se sentir incomodado mas, ao contrário, fazer bem a quem está nos incomodando. Como Ele que, diante de seus algozes, disse: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem.” (Lc 23,34) E em vez de castigar o soldado que lhe traspassou com a lança, curou-o da vista.

Evita a dissipação.

Dissipação é o termo usado para a falta de atenção em Deus. Dissipado é quem vive preocupado com tudo o que não seja a vontade de Deus, uma pessoa sem vida interior, cuja atenção está voltada para o mundo e para o prazer. O contrário da dissipação é a compenetração, a seriedade de quem se preocupa com a vontade de Deus em primeiro lugar, de quem tem como lema “buscai o reino de Deus e sua justiça, e tudo o mais vos será dado por acréscimo” (Mt 6,33).

Muita gente acha que não faz mal nenhum buscar distrações como ficar lendo ou assistindo coisas engraçadas, emocionantes ou de simples curiosidades. Entretanto, tudo o que não nos aproxima de Deus, inevitavelmente nos distancia. Quando Deus não é o foco da nossa atenção, estamos dissipados e fazendo o que não devemos.

Notemos, então, que a dissipação não está propriamente em fazer certas coisas (mesmo que “inocentes”), mas fazê-las sem relacioná-las com Deus, sem ter, ao fazer, uma intenção de dar glória a Deus, pois o simples fato de ter esta intenção já anula a dissipação.

Cala-te quando te repreenderem.

“Foi maltratado e resignou-se; não abriu a boca, como um cordeiro que se conduz ao matadouro, e uma ovelha muda nas mãos do tosquiador.” (Is 53,7) Um sinal evidente de humildade, de resignação com os planos divinos, de ausência de amor-próprio e egoísmo. Certa vez uma mulher de má vida começou a espancar Santa Teresa de Ávila na rua. A santa não revidava: apenas recebia as pancadas. Chegaram então pessoas conhecidas e, impedindo a agressora, disseram: “Madre, como a senhora deixou esta mulher fazer isto?! A senhora não merece isto!" Ao que a santa respondeu: “Mereço sim, pelos meus pecados.”

Todos nós, por mais santos que sejamos, sempre temos dívidas diante da bondade infinita de Deus, e devemos nos considerar pecadores. O Justo, o Santo, o Inocente, o Cordeiro sem mancha foi castigado e morto por causa dos nossos pecados. Aceitar as repreensões sem reclamar nem nos defendermos é o mínimo que possamos fazer para imitá-Lo, louvá-Lo e demonstrar-Lhe o nosso amor.

Não peças a opinião a todos, mas do teu diretor: diante dele sê franca e simples como uma criança.

Abrir-se com muita gente é um subterfúgio para não se sentir isolado. Entretanto, enfrentar a sensação do abandono pode ser uma atitude poderosa para alcançar a santidade. É uma prova de rompimento com o mundo. Na Cruz, mesmo rodeado por Maria, João e as santas mulheres, Jesus se sentiu abandonado, até pelo Pai: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?!” (Mt, 27,46) No caminho do Céu devemos aprender a conviver com a sensação do isolamento e da rejeição: “Se o mundo vos odeia, sabei que me odiou a mim antes que a vós.” (Jo 15,18)

Para muitos pode ser mais fácil pedir a opinião de um vizinho, de um amigo, do que a de um confessor ou diretor. Porque o segredo da confissão ou da direção espiritual não produz a sensação de integração com o mundo e com a opinião pública. Às vezes, pedir a opinião de um leigo é como abrir um canal de conexão com o mundo. No fundo, é uma atitude mundana, de quem quer ou aparecer ou aliviar sua carência afetiva.

Não te desencorajes com a ingratidão.

Dir-se-ia que ajudar o próximo produz nele uma atitude natural de reconhecimento e gratidão. Não, não... Dos dez leprosos curados por Jesus, apenas um agradeceu! Quem faz o bem esperando a gratidão não tem noção do que seja a despretensão da caridade cristã. Também aqui, buscar o reconhecimento do próximo é um jeitinho de aliviar sua própria carência afetiva, atitude desprovida do verdadeiro amor de Deus. Então, como diz o ditado, “faz o bem e não olha a quem”: trata a todos segundo o amor cristão, sem esperar recompensa aqui na terra.

Não indagues com curiosidade os caminhos pelos quais te conduzo.

Jesus deixa claro aqui que Ele nos “conduz” pelos “caminhos” da sua divina vontade. E o fato de sermos racionais nos leva a querer explicação para tudo. Para nós é muito difícil fazer algo sem razão, sem entender. Mas é precisamente este abandono na guia da Providência uma prova clara de que nossa entrega é sincera e real.

Lidar com a dúvida é algo terrível, mas que agrada a Deus. Se Ele quiser nos explicar, seja d’Ele a iniciativa; da nossa parte, apenas demos a mão a Ele e deixemo-Lo nos guiar por vales e montes, no sol ou na chuva, no claro ou no escuro, pois o importante é que Ele esteja nos conduzindo. Isto é confiança.

Quando o enfado e o desânimo bateram à porta do teu coração, foge de ti mesma e esconde-te no Meu Coração.

O remédio oferecido aqui para o tédio e o desânimo é o mesmo comentado acima no terceiro conselho, para lutar contra as tentações: refugiar-se no Sagrado Coração de Jesus.

Não tenhas medo da luta: a própria coragem muitas vezes afasta as tentações, que não ousa então acometer-nos.

Lutar é ruim, porque cansa, machuca e nos tira da zona de conforto. Ter coragem é enfrentar ao mesmo a preguiça e o medo. Para isso é necessário força de vontade e confiança.

E nada pode nos encorajar tanto e inspirar tanta confiança quanto saber que Deus está sempre junto de nós, a nosso favor, protegendo-nos, animando-nos, dando-nos as forças necessárias para vencer. Porque “se Deus é por nós, quem será contra nós?” (Rm 8,31). É reforçando precisamente esta verdade que Jesus disse, no próximo conselho:

Combate sempre com a profunda convicção de que eu estou contigo.

Jesus poderia ter dito “certeza”, mas reforçou com a expressão “profunda convicção”, para que tenhamos uma certeza absoluta de que o auxílio de Deus não nos falta, mesmo nos momentos mais críticos da batalha. Verdadeiramente, não temos razão nem desculpa alguma para evitar o combate, e seremos cobrados por isto. Então, armemo-nos de ânimo e coragem, e decidamos de fato ser santos, abandoando nossos apegos, nossos gostos pessoais, nossa preguiça, nosso conforto, nossos desejos de estar conectados com outras pessoas, e vamos à luta!

Não te guies pelo sentimento, por que ele nem sempre está em teu poder, porém todo o mérito reside na vontade.

Temos insistido tanto nisto em nossos artigos, que desenvolver esta ideia aqui parece chover no molhado. Digamos apenas que das três potências da alma ─ inteligência, vontade e sensibilidade ─ a vontade é a soberana que decide e se responsabiliza por tudo: somos o que queremos.

Por isso é tão necessária a submissão da nossa liberdade à vontade divina: “Quem me ama, pratica os meus Mandamentos.” (Jo 14,21) Guiar-se pelos instintos e paixões (sentimento) é próprio dos animais. E, infelizmente, há tanta gente no mundo que tem como lema: “Faço o que sinto vontade.” Este é o lema de todos aqueles que decidiram não amar a Deus e ir para o Inferno.

Nas mínimas coisas sê sempre submissa às superioras.

Conselho que reforça a ideia de submissão e cumprimento das regras. Mas precisamos ser submissos “nas mínimas coisas”, pois quem não é fiel nas pequenas, também não o será nas grandes.

Não te iludo com perspectivas da paz, e de consolos, mas prepara-te antes para grandes batalhas.

O mesmo Jesus que nos chama a tomar a nossa cruz e segui-lo, a renunciar à nossa vontade e fazermos a vontade do Pai, é também aquele que disse: “Meu jugo é suave e meu fardo é leve.” (Mt 11,28)

De fato, porque Ele mesmo é quem nos ajuda a carregar a nossa cruz, Ele não permite que o pesa seja maior do que nossas forças, nunca: “Deus que impõe o peso, ampara com a mão”, reza o ditado latino (Deus qui ponit pondus supponit manu).

Fica sabendo que estás atualmente em cena: toda a Terra e o Céu inteiro te observam.

Desde o início da nossa vida, “o Céu inteiro”; e, a partir do Juízo Final, “a Terra inteira”, ou seja, toda a Humanidade, desde Adão até o último homem a viver. Todos os nosso mínimos atos são assistidos por todas os anjos e homens do universo. Nossa vida é um palco constante, sem segredos...

Lute como uma valorosa guerreira, para que eu possa recompensar-te; e não temas, porque não estás sozinha.

Também este conselho reforça outros já dados, mas chama a atenção para a importância da recompensa.

Que possamos combater com ânimo e perseverança, até o dia em que proclamemos, como Paulo: “Combati o bom combate, fiz tudo o que devia fazer, cumprindo em tudo a vossa vontade: dai-me agora, Senhor, o prêmio da vossa glória!” (cf. 2Tim 4,7)