Uma era de impiedade

Crônica · Alexandre A. Tavares
Revista Por Ali, nº 11, 02/06/2016

Talvez em nenhuma outra era histórica a tentação contra a fé tenha se apresentado com tanta força quanto no início deste terceiro milênio. Forte, sim, mas também sutil. Engana-se quem pensa que essa tentação provoca grandes distúrbios e confusões mentais, ou mesmo remordimentos de consciência; hoje o infiel peca e dorme tranquilo. Isto se deve ao fato de que a opinião pública atual, quase que globalmente, foi ensinada a pensar e agir de forma liberal e libertina. Na prática, o mundo acredita que a fidelidade a Deus não é necessária, e que a prática dos Dez Mandamentos é algo obsoleto. A este pensamento está atrelada a ideia de que, com o progresso da liberdade humana, houve paralelamente uma mudança em Deus, pelo que Ele teria abandonado aquele caráter justiceiro e punitivo de outrora.

É como se Deus tivesse decretado que ninguém mais vai para o Inferno, e o Céu está aberto para todos, sem exceção. É como se Deus tivesse se rendido ao slogan da Sorbonne, “é proibido proibir”.

Com exceção de raros grupos tradicionalistas, o mundo se curvou a essa “ideologia da liberdade”. Através da mídia, especialmente a televisão e a internet, os agentes do mal conseguiram criar um Consenso universal com padrões próprios a desviar e perder as almas, afastando-as da vida santa e levando-as facilmente à busca do prazer, ao relativismo, do desânimo e, por fim, ao Inferno.

E quem ousa se opor a esta ideia é visto como retrógrado, estranho e até insano. Daí a enorme dificuldade em vivenciar a fé em nossos dias. Porque embora acreditemos nas verdades ensinadas pela Igreja, pautar nossa atitude por elas é remar contra um tsunami; é ser visto como um pária, um alienígena; é, ipso facto, ofender os defensores da liberdade, e isolar-se numa redoma antissocial extremamente antipática. E para vencer esta força oposta imperiosa é necessária uma fé heroica, somente obtida com muita santidade. Do contrário, seremos dos fiéis libertinos que se dizem católicos mas vivem imersos no lodo do relativismo, aceitando sem resistência as ideias, as modas e os costumes pérfidos disseminados pela mídia e seus agentes.

Ora, a fé ensinada por Jesus Cristo é oposta a essa mentalidade: prega a rejeição enérgica e radical às ideias e hábitos mundanos, principalmente os que nos afastam do Reino de Deus. E sendo assim, só seremos inteiramente de Deus se nos opormos diametralmente ao mundo e aderir radicalmente a Cristo e seus santos ensinamentos.


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