Um sermão assustador

Crônica · Alexandre A. Tavares
Revista Por Ali, nº 10, 02/06/2016

Aprendi, desde muito jovem, que aprofundar-se no estudo da fé é uma obrigação para os católicos. A tal ponto que, quem não o fizer, deve se confessar.

Por isso, sempre me empenhei no conhecimento da doutrina católica, e fui por isso muito favorecido, pois cada aprofundamento nos textos da Escritura e do Magistério eclesiástico nos dá acesso a um novo e belo tesouro.

Estou longe de ser um douto em teologia, mas prezo deveras o que conheço. Daí ser difícil, para mim, ficar ouvindo certos comentários e doutrinas que destoam dos ensinamentos tradicionais. Mas infelizmente isso acontece com frequência... E muitos bons sacerdotes com os quais tenho conversado dizem ocorrer o mesmo com eles.

Na realidade, não é de se espantar que num mundo tão sem Deus, até alguns eclesiásticos estejam contaminados pelas muitas heresias que grassam mundo afora.

O que mais dói, todavia, é presenciar sermões em que tais ideias daninhas são disseminadas entre os fiéis, minando e arrefecendo sua fé.

Às vezes me levanto e saio da igreja; outras fico resistindo, remoendo-me de inconformidade, porque quem deveria ser paladino da verdade, age como instrumento do maligno.

Talvez a mais chocante das experiências que tive nesse sentido foi no dia em que um padre disse que lhe parecia justo permitir a poligamia atualmente, porque “os homens já não conseguem viver com uma única mulher”. Nem sequer dentre os ímpios eu tinha ouvido semelhante aberração.

De imediato comecei a me perguntar quanto mal aquelas palavras poderiam causar a homens que naquele momento estariam sendo tentados pelo demônio a trair suas esposas...

E o infeliz padre ainda justificava sua afirmação dizendo que tínhamos voltado a uma época semelhante à do Antigo Testamento, à qual se referiu Jesus quando disse que o povo tinha coração duro, e por isso Moisés havia permitido a poligamia.

Aquelas palavras serviam como uma luva para “justificar” a traição de muitos homens casados, e fomentar o amor livre para os solteiros.

Saí daquela igreja carregando no peito mais esta grande decepção...

Oxalá não tarde o momento tão esperado dum ressurgimento da fé!


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