Silenciei
Poesia · Alexandre A. Tavares, 09/10/2020
Parei.
Aquietei-me.
Silenciei e me esvaziei, para encher-me de Deus.
Calei meus pensamentos e prendi no Senhor minha vontade.
Travei n’Ele o meu olhar, e ali fiquei, só contemplando a plenitude d’Ele no meu vazio.
Encontrei-O na quietude, na imobilidade, no vácuo, na paz, na sutileza do ar, no compasso suave da respiração, no pulsar tranquilo do coração, na marcha despreocupada do pensamento, no caminhar decidido mas submisso da vontade, na espera paciente e confiante do agir.
Nessa intensa, profunda e misteriosa união, mais parecida com uma fusão, mergulhei na Divindade e tornei-me simples como Ela, estático como o céu azul, solene como as nuvens, cerimonioso como o mar, majestoso como o trovão, poderoso como o raio, grandioso mas discreto como o movimento dos astros, ordenado como o universo.
Foi lindo sentir-me pequenino nessa Imensidão, fraco nesse Poder, insensato nessa Sabedoria, nada nesse Tudo.
E como num abraço místico, grudei n’Ele qual uma criança que se agarra à Mãe, na certeza de poder viver ali pra sempre.
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