Santidade, o tempero indispensável na repreensão

Filosofia · Alexandre A. Tavares
Revista Por Ali, nº 10, 02/06/2016

Dentre as várias práticas educacionais defendidas em nossos dias, aposta-se numa formação que sempre evite intimidar, como se à intimidação fosse um mecanismo contrário ao desenvolvimento dos pequenos.

De fato, o apóstolo Paulo advertiu que “os pais não devem intimidar seus filhos, para que eles não desanimem” (Cl 3,21). Porém, lembram-nos os Provérbios, que “o temor do Senhor é o princípio da sabedoria” (9,10), e que “quem poupa a vara ao seu filho o odeia; mas quem o ama, corrige-o diligentemente” (13,24).

Diligentemente! Aqui está o termo que regula e equilibra a maneira de corrigir e de educar, ou seja: aplicadamente, sim, mas com amor e carinho. Assim, correção sem temperança, paciência e amor não surte efeito.

Mas este equilíbrio é raro nestes dias em que, pelo grau ínfimo de virtude da humanidade, os educadores cometem frequentemente dois erros extremos: ou se omitem pelo permissivismo e pela não imposição de limites, ou partem para a agressão descontrolada, descarregando injustamente sua cólera egoísta e impaciente sobre o pequeno infrator.

Desafortunadamente, educadores que andam fora do caminho de Deus não possuem o grau necessário de virtude para corrigir com equilíbrio. Daí a necessária criação das recentes leis que protegem os menores das violências de seus educadores incontidos. Elas não eram tão necessárias décadas atrás, quando o equilíbrio estava mais presente. Por isso é tão comum atualmente encontrar, em redes sociais da internet, postagens como “em minha época se apanhava de chinelo, de cinta, de vara, e as pessoas eram melhores e mais educadas que hoje”.

Por outro lado, temos um exemplo marcante, de intimidação educativa equilibrada, na a atitude da Senhora de Fátima, que chegou ao extremo de mostrar de forma assustadora, a três pequenos pastorinhos, os terríveis tormentos do Inferno, não como forma de manifestar sua inconformidade, mas para incentivá-los à prática do bem, para salvá-los do castigo eterno. Eis o grande segredo da correção: incutir o desejo de melhora, o ânimo para praticar da virtude.

Outro aspecto não menos importante da intimidação como profícuo recurso educativo é o fato de que quem se vê corrigido ─ de forma equilibrada, moderada e carinhosa ─ passa a amar seu educador, pois vê nele um reflexo do amor infinito de Deus para com suas criaturas; sabe que a correção foi motivada pela justiça e pela misericórdia, e não pelo egoísmo ferido.

E então chegamos ao ponto mais importante desta reflexão: a intimidação não é um fim, mas apenas um caminho, muitas vezes necessário. Ela é um passo que deve conduzir ao amor.

Porque “no amor não há temor. Ao contrário, o perfeito amor lança fora o temor, pois o temor implica castigo, e aquele que teme não chegou à perfeição do amor” (1Jo 4,18).

Por fim, é importante levar em conta que o ser humano que desconhece os limites de sua liberdade raramente chegará a respeitá-los sem uma correção suficientemente vigorosa. E aqui chegamos a um ponto crucial da eficácia na repreensão: não basta ser justa e comedida; ela pressupõe os princípios convincentes da religião, atrelados a uma prática efetiva da fé. Pois somente com a graça de Deus ─ adquirida principalmente através dos Sacramentos ─ é que se pode chegar estavelmente ao bom comportamento.

Esta é a razão pela qual o mundo está tão descontrolado: não é possível ter sucesso na educação sem a força da base religiosa ensinada por Jesus e resumida no Evangelho. O ser humano é religioso por natureza, não foi criado para viver sem Deus. O ímpio, por mais pacato e inofensivo que aparente, revelará em algum momento o seu déficit educacional. Se não o fizer em detrimento da sociedade (roubando, matando, ferindo, ou prejudicando o próximo de alguma forma), ele o fará certamente em relação a si próprio (permitindo-se o desânimo, que pode levá-lo a desequilíbrios depressivos e psicológicos, ou até o extremo do suicídio).

Acreditamos, portanto, que os ensinamentos de Jesus sejam a única base educacional capaz de realmente transformar a sociedade. Isso está, aliás, mais do que comprovado ao longo dos dois milênios de cristandade, em que nenhuma ação educacional ou de qualquer outra natureza foi tão eficaz quanto aquelas praticadas pelos santos.

Por mais que gritem os educadores ateus e materialistas, a realidade é que somente a busca pela santidade pode adequadamente educar e salvar o mundo.


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