Sabores e dessabores

Poesia · Alexandre A. Tavares
Revista Por Ali, nº 7, 02/03/2016

Muitos são os alimentos na natureza,
Criados por Deus para o nosso bem.
Mas os melhores, com certeza,
São azedos, amargos, e ardidos também.

Nossos avós comiam cebola, alho e jiló,
Gengibre, limão, nabo e pimenta;
Hoje se come açúcar e gordura tão só;
Comida difícil ninguém experimenta.

Por isso eram fortes os antigos:
Esbanjavam saúde, ânimo e alegria;
Nós, ao contrário, corremos perigos:
Depressão, diabetes e muita patologia.

Mas como levar em consideração
Que sorvete em excesso faz mal?
Que pizza e bolo... só com moderação,
E que importante é o vegetal?

Nesta época de crise tamanha,
Gente morre como presa,
Pela guerra ou doença estranha,
Mas o que mais mata é a mesa.

Quem outrora degustava o dessabor,
Acabava por viver satisfeito;
Quem hoje corre atrás do sabor,
Tem organismo com defeito.

Assim também na vida espiritual:
Tem paz quem saboreia a cruz.
Dela vem a saúde sobrenatural,
E por ela é que se chega à Luz.

Vida fácil, que foge da dor,
Afasta de Deus e da missão.
Quem não sofre com o Redentor,
Como pode, no Céu, ter galardão?

Padecer com Jesus é amor e vida:
Santifica-se a alma sofredora,
Ao seu Deus mantém-se unida,
Partilhando a Obra redentora.

Sofrer é o “oitavo sacramento”,
Canal de gracas abundantes.
Mas mudar amor em padecimento
É segredo oculto aos iniciantes.

Sacrificar-se com Cristo por amor
E sinal de alma madura,
Que contempla Sua face no Tabor
E Sua glória na vida futura.


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