Relativismo, a heresia do milênio
História · Alexandre A. Tavares
Revista Por Ali, nº 10, 02/06/2016
Algumas décadas antes de começar o terceiro milênio, São Pio X marcou o seu pontificado com uma luta entranhada contra o modernismo, heresia que propunha uma adaptação da doutrina e dos costumes da Igreja aos tempos ─ e aos erros ─ modernos.
Herdeiro do modernismo e do progressismo, o relativismo apresenta-se em nossos dias como uma das mais nefastas heresias enfrentadas pela Igreja Católica ao longo de sua história.
E mesmo se um dia forem erradicados do cristianismo, podemos afirmar, sem dúvida, que estes erros de tal modo marcaram o início do terceiro milênio cristão, que serão considerados sua pior heresia.
A doutrina relativista se opõe fundamentalmente às verdades reveladas por Cristo e incrementadas pelo magistério eclesiástico durante os dois milênios de cristandade.
Para o relativismo, nada é pura verdade, tudo tem um sentido relativo, uma interpretação livre e múltipla, conforme a necessidade ou a simples conveniência; defende a impossibilidade do conhecimento humano adquirir a certeza resultante da verdade.
Ora, a verdade é um dos três principais caminhos que levam a Deus, juntamente com o bem e o belo. Negar sua existência seria jogar-se num mar de insegurança que põe em dúvida a veracidade da Igreja e, portanto, de Cristo, que afirmou de si mesmo: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida.” (Jo 14, 6)
As doutrinas de fé da Igreja, chamadas “dogmas”, são exatamente baseadas na existência de verdades confimadas como tal. Ora, o relativismo exclui o absolutismo da verdade, incutindo no ser humano uma insegurança altamente prejudicial à fé e, em consequência, à salvação das almas. Pois se não há verdades, como acreditar na vida após a morte, no juízo de Deus, no Céu, no Inferno, na necessidade de se viver santamente com vistas à salvação?!
Outra consequência do relativismo é o descrédito na existência do bem e, portanto, do mal, que é sua ausência. No mundo relativista nada é bom nem mal, nada é verdade nem erro, nada é bonito nem feio, pois tudo depende da interpretação que se dê. No âmbito eclesial, esta doutrina teve sua primeira semente plantada por Lutero, por ocasião da Revolução Protestante, que questionou o Magistério da Igreja e defendeu a livre interpretação das Escrituras.
Mas foi só em 1907 que o papa São Pio X usou o termo “modernismo”, descrito na encíclica Pascendi Dominici Gregis como a doutrina que prega: “Deus não pode ser reconhecido por critérios objetivos racionais, mas apenas pelo sentimento subjetivo do homem.”
Um dos passos mais ousados no progresso das ideias modernistas se deu com a realização do segundo Concílio Vaticano (1962 a 1965), que permitiu a reinterpretação da doutrina católica, abandonando sua imutabilidade tradicional.
Daí decorreram grandes transformações na liturgia e nos costumes eclesiásticos, afetando diretamente o modo tradicional e multissecular de se viver a religião.
Foi este, indubitavelmente, o maior golpe de Satanás contra a Igreja de Cristo. Não fosse a promessa de que “as portas do inferno não prevalecerão contra ela”, seríamos levados a concluir que o fim da autêntica e verdadeira Igreja estaria bem próximo.
Porém, esta mesma promessa do divino Fundador mantém-nos firmes na crença de que, pelo contrário, quando o relativismo atingir o seu ponto máximo de devastação, será o momento em que o Reino de Deus começará a luzir por dentre as nuvens carregadas que hoje toldam o céu da Igreja.
E então, a Igreja “renascerá” de sua aparente “morte”, e brilhará como nunca aos olhos da humanidade. Será este o triunfo do Imaculado Coração de Maria previsto em Fátima; realizar-se-á então a súplica que durante dois milênios a cristandade vem fazendo ao Pai: “Venha a nós o vosso reino, e seja feita a vossa vontade, assim na terra como no Céu.”
O grupo Pleni Dei no WhatsApp te avisa exclusivamente quando houver novas publicações:
WhatsApp:
+5512988353744
Email:
plenidei@gmail.com
Centro Educacional Pleni Dei
Copyright © 2019-2025