Reforma Ortográfica de 2009

Linguística · Alexandre A. Tavares
Revista Por Ali, nº 5, 02/01/2016

O Acordo da Língua Portuguesa, assinado pelos países lusófonos em 1990 para unificar e simplificar a ortografia, afetou os oito países em que o idioma português é oficial, e começou a ser aplicado no país a partir de 2009.

Inicialmente a previsão era que as regras fossem aplicadas oficialmente a partir de janeiro de 2013, mas após diversas polêmicas e críticas por parte de linguistas, o governo decidiu adiar sua obrigatoriedade até o primeiro dia de 2016.

A unificação ortográfica do português foi estipulada em 1990 por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe. Timor-Leste uniu-se ao acordo após sua independência, em 2014.

A assinatura do acordo previa que cada um dos membros da Comunidade de Países de Língua Portuguesa tivesse autonomia para definir a data de ratificação, de entrada em vigor e de aplicação de forma obrigatória das normas.

O Brasil passou a ser o terceiro dos oito países que já aplicaram as normas de forma obrigatória, junto com Portugal e Cabo Verde.

A reforma estabelece cerca de 20 bases de mudanças na língua portuguesa, tais como a inclusão das letras k, w e y no alfabeto, que passou de 23 a 26 sinais gráficos, assim como novas regras de acentuação e de uso do hífen.

De acordo com o ministério da Educação, o acordo alterou 0,8% dos vocábulos da língua portuguesa no Brasil, enquanto que Portugal ─ a nação de origem da língua ─ teve de submeter-se a uma mudança de 1,3%.

O Acordo das nações lusofônicas teve como objetivo facilitar o intercâmbio cultural e científico, bem como ampliar a divulgação do idioma e da literatura na língua portuguesa pelo mundo.

Particularmente, acreditamos que as modificações são bem-vindas. A polêmica, entretanto, continuará mesmo após a vigente oficialização.

Uma das discussões é, por exemplo, sobre a terceira pessoa singular do verbo “parar”, que não pode mais ser diferenciada da preposição “para” mediante acento, gerando ambiguidades: MAIS CHUVA PARA A CIDADE; OBRA PARA O TRÂNSITO; NOVA REGRA PARA A PRODUÇÃO.


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