Quietude

Poesia · Alexandre A. Tavares, 09/06/2015


Às vezes quero não querer,
E prefiro não preferir.
Dá vontade de nada fazer
E até parar de sentir.
Manter a alma silenciosa,
Gozando uma paz deliciosa.


É como se o mundo parasse
E meus dedos tocassem o amor.
É como se meu espírito penetrasse
Nos átrios santos do Senhor.
Pode parecer irrealidade,
Mas ali toco a verdade.


Místico é este momento
Em que, na terra, visito o céu.
Até o ar parado, sem vento,
Representa bem seu papel.
Na quietude então posso haurir
A voz divina que se faz ouvir.


Quisera eu ali permancecer
Por tempo indefinido,
Quem sabe... até morrer.
E por todos ser esquecido,
Só por Deus lembrado,
Só por Ele amado.


Mas minha hora não chegou,
Preciso agora retornar.
O tempo de luz acabou...
E a luta vai recomeçar.
Mas, um dia, ela acabará
E ─ espero ─ morarei lá!


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