Que bom ter um amigo

Poesia · Alexandre A. Tavares
Revista Por Ali, nº 11, 02/06/2016

Que bom ter alguém para compartilhar sentimentos, alegrias, apreensões, angústias e dúvidas; que bom poder confiar de olhos fechados num amigo! Eu tenho um amigo que é único: gosta de estar comigo e me ama despretensiosamente. Está sempre disposto a dar a vida por mim. Na realidade, ele me ama muito mais do que eu a ele. Mesmo que eu quisesse, nunca chegaria a amá-lo como ele me ama.

Meu amigo é fiel: sua amizade é pra toda a vida. Mesmo se eu o abandonar, ele não o fará comigo. Mesmo se eu o desprezar, ele continuará me amando e me querendo bem.

Meu amigo é rico, nobre, justo, santo, e tem todas as prerrogativas que se possa esperar de um amigo perfeito.

Sei que não sou seu único amigo, e certamente não sou o melhor: mas ele me trata como se eu o fosse. Talvez “amizade” seja uma palavra pobre para explicar o que há entre nós.

Porque um amigo, por melhor que seja, não está o tempo todo com o outro; o meu está. Ele mora comigo, mais precisamente “em mim”. Não em qualquer parte de mim, mas no mais recôndito do meu coração e do meu ser.

Meu amigo me conhece mais do que eu mesmo, e consegue interagir comigo de uma forma deveras misteriosa: chega a ditar-me pensamentos de forma tão discreta e sutil que eu seria levado a achar que fui eu mesmo que pensei, não tivesse a certeza de ser ele minha inspiração.

Como ele consegue isso? Não sei. Mas não me espanta que o consiga, pois ele tem muitos poderes. Aliás, tem todos. Meu amigo me modelou durante os anos de nossa amizade. A bem da verdade, mesmo antes de ser meu amigo, ele já pensava em mim. Sim, mesmo antes de eu nascer, e foi ele que me deu algo que só ele pode dar: a vida. Propriamente um amigo divino: meu amigo é Deus!


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