Quaresma

Alexandre Augusto Tavares, 2/2/2016 - Revista Por Ali, nº 6

· Liturgia ·

Cruz e coroa de espinhos, símbolos da Quaresma

O termo quaresma provém do latim “quadragésima”, correspondendo aos 40 dias que precedem a principal celebração anual da Igreja Católica: a Páscoa da Ressurreição de Jesus.

Este tempo litúrgico é marcado pela penitência e pelo apelo à conversão. Mas como não se faz penitência no domingo ─ dia sempre destinado a recordar a Ressurreição de Cristo ─, a quaresma começa na quarta-feira que precede o primeiro domingo (chamada Quarta-feira de Cinzas), para completar os quarenta dias.

O número 40 é rico em simbolismo: Moisés e Elias se prepararam durante quarenta dias para se encontrar com Javé (Ex 24,18; 1Reis, 19,8); o povo judeu passou 40 anos no deserto até chegar à Terra Santa (Ex 16,35); e Jesus, após ser batizado, lutou contra Satanás quarenta dias no deserto (Mt 4,2).

A Quarta de Cinzas e a Sexta-feira Santa são dias oficiais dejejum (diminuição ou supressão de alimento) e abstinência (não comer carne) preceituados pela Igreja Católica. No restante do tempo quaresmal, os fiéis ficam livres para oferecer as orações,mortificações, obras de caridade e sacrifícios que desejarem.

Os paramentos da quaresma são de cor roxa, exceto no domingo Lætare (4º), em que podem ser rosados.

Lætare, no latim significa “alegra-te”. Esta palavra introduz antífona de entrada na celebração eucarística deste domingo: Lætare, Ierusalem, et conventum facite omnes qui diligites eam; gaudete cum laetitia, qui in tristitia fuistis; ut exsultetis, et satiemini ab uberibus consolationis vestrae”, cuja tradução é: “Alegra-te Jerusalém! Reuni-vos, vós todos que a amais; vós que estais tristes, exultai de alegria! Saciai-vos com a abundância de suas consolações.” (Is 66, 10-11).

Na quaresma não se decora o altar nem a igreja com flores; cobrem-se com tecidos roxos as imagens dos santos; e em algumas paróquias evitam-se inclusive instrumentos musicais para acompanhar os cânticos, em sinal de penitência e recolhimento.

No último domingo se dá a celebração de Ramos, onde se relembra o momento em que Jesus entrou em Jerusalém aclamado pelo povo, que bradava: “Hosana ao Filho de Davi!”

A última quinta, já na Semana Santa, é destinada a celebrar a derradeira ceia de Jesus, depois da qual começou a sua Paixão.

E na missa noturna de Sábado Santo, a liturgia mais longa do ano faz a transição do período quaresmal para a o pascal. Por isso, este dia é chamado Sábado de Aleluia.