Quantos filhos ter

Apologética · Alexandre A. Tavares
Revista Por Ali, nº 1, 02/09/2015

Gerar filhos é participar do atributo criador de Deus. O dom da vida é o principal motivo de nossa gratidão para com o Criador. Sendo Ele eternamente feliz em Si, deu-nos a vida para que participemos perpetuamente de sua perfeita alegria.

Deus poderia ter-nos criado do mesmo jeito que criou Adão, o primeiro homem: do nada. Entretanto, preferiu instituir a geração natural, que se dá através de nossos pais.

Gerar uma criança é dar a ela a possibilidade da glória eterna. Aos pais cabe a altíssima responsabilidade de encaminhar seus filhos no rumo do bem, nas trilhas do Senhor. E nada mais eficaz neste sentido, do que ter uma vida santa, porque o exemplo arrasta.

Estas considerações põem em evidência o caráter religioso do matrimônio: casar-se é, pois, assumir uma missão colaborativa para povoar o céu. Este é o sentido nobre, elevado e real do casamento: gerar futuros bem-aventurados. Somente em segundo lugar é que o matrimônio deve contemplar o prazer do convívio entre os cônjuges. Porquanto o amor puro de um casal visa uma prole.

Note-se de passagem que estas considerações são diametralmente opostas às atuais ideias disseminadas, de união entre pessoas do mesmo sexo. Pois tal união não visa a procriação, que necessariamente só pode se dar entre um pai e uma mãe, conforme a regra estabelecida por Deus na natureza.

Neste momento podemos nos questionar a respeito da quantidade de filhos que nos convém gerar. Uma resposta simplória seria: “Tantos quantos forem possíveis.” Na prática, alguns fatores podem limitar e até impedir um casal de ter filhos.

Dentre eles, restrições de saúde, pobreza extrema e a falta de habitação. Mas o planejamento familiar deve contar sempre com muita generosidade do casal, bem como a confiança no auxílio divino para a geração e criação dos filhos.

Nesta era de impiedade e egoísmo, em que se põem as próprias satisfações e veleidades acima do amor de Deus, a tendência é de controlar injustamente a natalidade.

Por outro lado, vê-se a imprudência do apetite sexual descontrolado gerando filhos que não receberão criação e educação satisfatórias, tanto no tocante às necessidades físicas quanto às espirituais. Crianças nestas condições merecem uma especial atenção por parte da sociedade, no sentido de ajudar-lhes a trilhar o caminho que leva ao Céu.

Concluindo, não meçamos o número de nossos filhos pela medida do egoísmo e da mesquinhez, mas sim pela generosidade cristã. Se está, pois, em nossas possibilidades reais dar a oportunidade para mais seres humanos viverem felizes no Céu junto a Deus, quem somos nós para impedi-los de virem à vida?

Deixemos de lado as doutrinas [ironicamente] antropocêntricas a respeito do casamento e da geração de filhos, e vivamos cristãmente o matrimônio, como ele foi concebido no ato divino da criação: “Crescei e multiplicai-vos, e povoai toda a terra.”


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