Pretexto para a Graça

Alexandre Augusto Tavares, 28/2/2024

· Reflexão ·

Nossa Senhora das Graças

Uma prática comum entre os exorcistas é descobrir a causa da possessão, o que permitiu que o demônio tomasse o corpo, qual foi a “porta” aberta para o início da ação diabólica.

Geralmente essas portas são atitudes contrárias aos ensinamentos de Cristo, ligadas a práticas de magia, espiritismo, ocultismo, adivinhações, reiki, tarot e outros atos pecaminosos, como pornografia, idolatria e blasfêmias.

E assim como o demônio precisa de um gesto, uma atitude, uma ação que justifique e permita sua “entrada”, também Deus, para nos ajudar, estabeleceu que haja um ato da nossa vontade, que permita o agir de sua Graça.

Isto se deve ao fato de que estamos em estado de prova nesta vida, a fim de definir se realmente queremos ─ pelo uso livre da nossa vontade ─ o prêmio da bem-aventurança eterna.

Dizer “não” ao pecado equivale a dizer “sim” para Deus, o que estanca a ação diabólica e libera a ação divina.

Precisamos, pois, abrir portas, dar motivos para o Céu vir em nosso auxílio. Daí a enorme importância da oração, que é o meio mais simples e eficaz de conseguir a Graça divina. Seja nos dirigindo à própria Trindade Santíssima, seja pela intercessão poderosa de Maria Santíssima, ou dos Anjos, ou dos Santos, precisamos demonstrar que desejamos efetivamente o auxílio divino.

Recorrer à Graça de Deus não é uma opção em nossa vida, mas uma necessidade vital, uma condição para a nossa salvação. Pois ninguém é capaz de se salvar por sua própria força e vontade. O caminho do Céu é sobrenatural, não pode ser trilhado por pernas humanas.

Recorrer a Deus através da oração é optar, é demonstrar nosso real desejo de amá-Lo acima de tudo na terra, é aderir e unir-se a Ele num simples gesto carinhoso de consentimento.

Vivamos, então, com os olhos postos em Deus, em tudo o que fizermos, reconhecendo nossa carência, nossa incapacidade para fazer o bem, expressando, com toda a sinceridade do nosso coração, nossa adesão a Deus, nosso desejo real e efetivo de renunciar à nossa vontade própria e cumprir os planos d’Ele em cada micro ação do nosso dia.

Confiemo-nos, para isso, à poderosíssima e infalível mediação da Mãe de Deus, que com toda atenção e afeto aguarda nossas orações como pretexto para despejar do Céu as graças que nos faltam.