Pequena via, o atalho

Alexandre Augusto Tavares, 2/3/2016 - Revista Por Ali, nº 7

· Espiritualidade ·

Santa Teresinha do Menino Jesus

Teresa de Lisieux, popularmente conhecida como Santa Teresinha do Menino Jesus, foi declarada Doutora em virtude dos importantes ensinamentos que trouxe a Igreja, especificamente sua “Pequena Via”, que também poderia se chamar “Atalho”, ou seja, um caminho mais curto e rápido para se chegar à santidade. Seu atalho nos ensina que o importante não é realizar grandes obras, mas ter um grande amor ao desempenhar qualquer ação, como ler um texto, escrever uma mensagem, cozinhar, comer, dirigir a alguém um sorriso, dar um conselho, sofrer em silêncio...

De fato, nossas ações não dependem de sua grandeza para agradar a Deus, mas do amor com que são feitas, de sorte que Jesus glorificava tanto ao Pai num Sermão da Montanha, quanto ajudando São José nos afazeres da marcenaria, durante o tempo de sua vida oculta em Nazaré.

Teresinha manifestava uma confiança inabalável em Deus: “Mesmo se me pesassem na consciência todos os pecados possíveis de cometer, eu iria, com o coração partido de arrependimento, jogar-me nos braços de Jesus, pois sei quanto Ele ama o filho pródigo que vem Lhe pedir perdão. (...) Oh! como sou feliz por me ver imperfeita e por ter tanta necessidade da misericórdia do bom Deus no momento da morte! (...) A santidade não está nesta ou naquela prática; ela consiste numa disposição do coração, que nos torna humildes e pequenos nas mãos de Deus, conscientes de nossa fraqueza, e confiantes até a audácia na sua bondade de Pai.”

Deixar-se carregar por Jesus e Maria no caminho da santidade, sentir-se feliz por ser fraca e ter necessidade da misericórdia e da bondade de Deus, eis o caminho “curto e seguro” indicado por Santa Teresinha.

Aqui estão mais alguns conselhos para quem quiser santificar-se na Via Curta:

Desça de seu pedestal e deixe de considerar-se bom nisto ou naquilo; reconheça sua fraqueza, sua pequenez, sua maldade, sua incapacidade de ser santo sozinho. Aceite suas próprias limitações, encontrando sempre um meio de ser feliz e de aproveitar-se de suas próprias misérias.

Faça a vontade de Deus e não a sua: busque-a pela oração e pela escuta de Sua palavra. Renda-se aos encantos de Deus. Jogue-se em seus braços como uma criança.

Não resista: desista de si mesmo, renuncie a qualquer prazer ou regalia e se refugie no único que pode trazer um sentido pleno a sua vida, o Deus de Misericórdia.

Saiba que a felicidade que você usufrui, a paz que invade seu coração, nada disso existe por acaso, nem por seus méritos, mas sim da misericórdia divina. Deus não lhe poupa de sofrimentos, porque o sofrimento faz parte da vida e é um canal eficaz de união com Ele.

Abandone-se à Providência divina, sem preocupar-se com o passado ou com o futuro. Seja de Deus agora, imediatamente, para sempre; não espere amanhã ou mais tarde para ser d'Ele! O agora é um presente de Deus. Tome consciência do valor único e insubstituível desse minuto que você tem o privilégio de viver, esteja chorando ou sorrindo.

Santa Teresinha, minutos após a morte

Este momento é o único em que, na verdade, você pode amar a Deus e ao próximo. Teresa d'Avila, a grande reformadora do Carmelo, dizia: “Quem tem o momento presente, tem Deus; quem tem Deus, tem Tudo.” Teresinha soube viver a mística do instante, e isso está muito presente em uma de suas poesias: “Minha vida é só um instante, uma hora que passa; minha vida é um só dia que se esquiva e foge, bem o sabeis, meu Deus! Para Vos amar na terra só tenho hoje. Por que se atormentar com a ideia do prolongamento de seus sofrimentos? Aprenda a sofrer minuto por minuto. De instante em instante, pode-se aguentar muito.”

A Pequena Via é, ademais, um caminho de radicalidade: “Deus não quer um coração dividido; quer tudo ou nada.”