Paradoxo

Poesia · Alexandre A. Tavares, 09/011/2015

Minutos atrás nasci, e eis-me aqui, já senil, na metade de meus dias. Será mesmo a metade? Ou, logo ali, minutos à frente, está o fim?

Que velocidade louca é esta, do tempo que passa e não volta mais...?! O que me sobra é quiçá menos do que gastei... Sim, gastei mas gostei!

E pensando bem, ganhei cada segundo que perdi: Avancei quando parei, e corri quando esperei. Cresci quando me fiz pequeno. Viajei pelas altas galáxias quando desci aos abismos profundos. Dominei quando obedeci, e reinei quando

me fiz escravo.

Degustei a amargura. Durante a aridez foi que amei, e em meio à tormenta acreditei, confiei. Exultei quando chorei. Progredi e me adiantei quando fugi e renunciei. Foi quando não conseguia pensar que comecei a compreender.

Enxerguei na escuridão. De pé permaneci quando caído, e alegrei-me quando a queda doeu. Fui rico quando na miséria, e próspero na penúria. Vivi mais plenamente quando feito morto.

Mas tudo passou, e o que falta, logo passará. Porque tudo passa, tudo muda, tudo vai: como o tempo. Então, substituí tudo pelo Insubstituível. Mergulhei meu nada no oceano do Tudo, e agora nem mesmo o tempo me incomoda: já não é para ele que eu vivo, mas para Aquele que o criou. Aprendi que o tempo passa mas o amor fica. E passei a amar no tempo, aproveitando o tempo para amar.

Ó Senhor do tempo e do amor, em minutos Te verei na eternidade, para Te amar pelos tempos sem fim!


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