Os maravilhosos paradoxos divinos
Espiritualidade · Alexandre A. Tavares, 18/11/25
Quando uma alma é introduzida pela Graça no caminho da perfeição, e elevada a um nível superior de união com Deus, suas vistas começam a enxergar o que antes lhe parecia puro mistério.
Começa a ver realidades antes escondidas atrás de ilusões e cegueiras, por sua fé apoucada e tíbia.
Desvendam-se então aos seus olhos panoramas grandiosos, com vastos horizontes, pintados agora com as tintas nítidas da ciência, do entendimento e da sabedoria divina.
Compreende que sim pode ser não, e que não pode ser sim, e que não há nisto contradição, pois o paradoxo é só aparente. E contempla, neste jogo de aparências ilógicas, as maravilhosas verdades ocultas sob os véus da Providência celeste.
Passa então a acreditar que amor é dor; que sofrimento é bondade; que castigo é misericórdia; que desgraça é bênção; que insucesso é vitória; que morte é ressurreição. E que, pelo contrário, prazeres são pecados; deleites são amargos; felicidade é ilusão; comodidades são perturbação; sonhos são pesadelos; planos e projetos pessoais são quimeras…
Neste estágio avançado de perfeição espiritual, grandes batalhas da vida são combatidas pela alma fiel, mas mergulhada na paz, na segurança, no conforto do colo divino, que lhe inspira tanta confiança e proteção, que nada lhe abala o espírito.
Entende facilmente que no caminho de Deus há espinhos, pinguelas sobre precipícios, animais peçonhentos aguardando sua passagem para atacar, há fortes vendavais e tempestades... mas como Deus é quem lhe guia, ela permanece tranquila em meio a todas as adversidades.
Observa, do outro lado do vale, o caminhar das almas que escolheram o caminho das flores, dos perfumes, das aparentes facilidades, do conforto, da segurança, da realização de seus sonhos pessoais; que caminham alegres, por vezes saltitando e dançando, despreocupadas, rumo ao vale tenebroso para o qual as conduz aquela via. Não seguiram o conselho do Mestre: “Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e numerosos são os que por aí entram. Estreita, porém, é a porta e apertado o caminho da vida, e raros são os que o encontram.”
Sim, são raras as almas capazes de enxergar esta paradoxal ilusão: o caminho lindo e confortável leva ao abismo; o caminho horrível e desagradável leva ao Paraíso. Per crucem ad lucem: pela cruz é que se chega à luz!
O que realmente importa na vida não é realizar os nossos sonhos egoístas, mas simplesmente deixar-se conduzir pelos caminhos da vontade divina, não obstante sua aparência horripilante. Pois, no fim, está a luz eterna!
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