Origem da Via Sacra

Alexandre Augusto Tavares, 2/2/2016 - Revista Por Ali, nº 6

· História ·

Jesus expirando na Cruz

Via Sacra, Via Crucis ou Via Dolorosa são os nomes da tradicional devoção católica, em que se meditam os passos da Paixão de Cristo, desde a sua condenação até o sepultamento. Considerar os sofrimentos oferecidos por Jesus em nosso favor é uma ocasião propícia para reconhecermos o insondável amor com que o Messias nos redimiu e reabriu as portas do Céu.

Esta meditação originou-se na época das Cruzadas (século X). Peregrinos da Terra Santa que visitavam os lugares sagrados da Paixão de Jesus encontraram nesta devoção uma forma de recordar os passos da Via Dolorosa de Jerusalém. De volta a suas terras, aqueles peregrinos compartilharam esta devoção, que se propagou como costume por todo o mundo católico.

Foi só no século XVI que o número de estações contempladas fixou-se em quatorze: 1) Jesus é condenado à morte; 2) Jesus leva a cruz às costas; 3) Primeira queda de Jesus; 4) Encontro com Maria; 5) A ajuda do Cirineu; 6) Verônica enxuga o rosto de Jesus; 7) Segunda queda de Jesus; 8) Jesus consola as filhas de Jerusalém; 9) Terceira queda de Jesus; 10) Despojamento das vestes de Jesus; 11) Crucifixão de Jesus; 12) Morte de Jesus; 13) Jesus é retirado da Cruz; 14) Sepultamento de Jesus.

Esta meditação é considerada tão importante para a Igreja católica, que todos os seus templos têm fixadas em suas paredes, obrigatoriamente, as quatorze estações da Via Sacra.

Iniciam-se as estações com a oração “Nós vos adoramos, ó Cristo, e vos bendizemos, porque pela vossa santa Cruz redimistes o mundo”. Após a meditação, geralmente lida, reza-se o Pai-nosso, a Ave-maria e o Glória, terminando com as jaculatórias “tende piedade de nós, Senhor; tende piedade de nós” e “que as almas dos fiéis defuntos, pela misericórdia de Deus, descansem em paz”.

A imagem milagrosamente impressa no Santo Sudário de Turim ─ lençol no qual Jesus foi envolto após sua morte (como era costume entre os judeus) ─ revela os sinais evidentes da Paixão de Cristo, confirmando as narrações do Evangelho.
Abaixo, uma reconstituição da Sagrada Face, com base no rosto do Sudário.