Obediência, prova de amor
Espiritualidade · Alexandre A. Tavares
Revista Por Ali, nº 2, 02/10/2015
O primeiro pecado da História foi de desobediência, quando Lúcifer grunhiu que não serviria ao Senhor Deus. Concomitante ao desacato, tomou-se de orgulho, julgando-se um ser superior. E aqui se nota a estreita relação entre orgulho (falta de humildade) e transgressão.
A esta grande revolta de Satanás aderiu uma parte dos anjos, e como consequência foram incorporados a uma chama e enviados a um lugar de padecimento eterno, chamado Inferno.
Também o homem pecou por desobediência. Adão e Eva foram submetidos a uma única prova, a da obediência. Mas ambos se recusaram a seguir a prescrição divina. Por isso foram expulsos do Paraíso e condenados a viver neste Vale de Lágrimas com todos os seus descendentes.
Infelizmente, a liberdade com que fomos criados por Deus facilmente se transforma em prepotência, em egoísmo, em independência e autossuficiência em relação ao Criador.
Ora, sem Deus o ser humano é fraco, ignorante, incapaz de fazer o bem e viver retamente. O destino de quem vive sem Deus é sempre o pecado. E precisamente o pecado consiste num ato de desobediência.
Deus nos mostrou o caminho do bem, e nos deu as regras para chegarmos à glória celeste. Mas para isso, temos que seguir as regras, mesmo quando elas nos desagradem, temos que obedecer sempre e com alegria. E nisto consiste a grande prova de amor que podemos oferecer a Deus: cumprir seus mandamentos. Por isso Jesus disse “quem me ama cumpre os meus mandamentos” (Jo 14, 21).
Quem muito ama, não se limita a obedecer as ordens manifestas; quer obedecer também nas coisas pequenas, quer conhecer a vontade de Deus a respeito de tudo, para em tudo ser-Lhe agradável: reza, espera a resposta de Deus, age sempre em consonância com os planos divinos. Renuncia constantemente ao seu próprio querer, ao seu próprio saber, ao seu próprio agir, para querer, saber e agir com Deus. Obedece até nas coisas pequenas e indiferentes, onde não entra matéria de pecado.
E assim como a desobediência precisa ser castigada, porque fere a ordem perfeita do universo criado por Deus, assim também. em sentido oposto, a obediência, a submissão, a sujeição, a humildade merecem a glória. Nada ofende mais a Deus, do que o pecado, que é a desobediência; nada agrada e glorifica mais a Deus do que a submissão à sua divina vontade.
Julgar-se inapto para decidir, e consultar-se com Deus antes de agir é sumamente agradável ao Senhor. A obediência é, pois, a melhor forma de liberdade. Por isso disse São Paulo: “Depois de terdes sido escravos do pecado, obedecestes de coração à regra da doutrina na qual tendes sido instruídos. E, libertados do pecado, vos tornastes servos da justiça.” (Rm 6, 17-18)
A obediência é poderosa contra Satanás: “Sede submissos a Deus. Resisti ao demônio, e ele fugirá para longe de vós. Aproximai-vos de Deus, e ele se aproximará de vós.” (Tg, 4, 7-8)
Obediência é sinal de glória, conforme o exemplo do próprio Cristo: “Sendo ele de condição divina, não se prevaleceu de sua igualdade com Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e assemelhando-se aos homens. E, sendo exteriormente reconhecido como homem, humilhou-se ainda mais, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz. Por isso Deus o exaltou.” (Fl2, 6-9)
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