O uso do hífen

Linguística · Alexandre A. Tavares
Revista Por Ali, nº 11, 02/06/2016

O Acordo Ortográfico de 1990, em vigor a partir de 2016, estabelece o uso do hífen nos seguintes casos:

1. Em palavras compostas sem elementos de ligação: guarda-chuva, arco-íris, boa-fé, blá-blá-blá. Portanto, não se usa hífen em compostos com elementos de ligação: pé de moleque, pôr de sol, dia a dia. Exceções: água-de-colônia, arco-da-velha, cor-de-rosa, mais-que-perfeito, pé-de-meia, ao deus-dará, à queima-roupa, gota-d’água (e em todos os outros compostos com apóstrofe).

2. Em derivados de lugares (belo-horizontino, porto-alegrense, sul-americano) e de espécies animais e botânicas (bem-te-vi, peixe-espada, erva-doce, pimenta-do-reino), exceto quando seu sentido é figurado: bico de papagaio (deformação nas vértebras) olho de boi (espécie de selo postal).

3. Após os prefixos EX, SEM, ALÉM, AQUÉM, RECÉM, PÓS, PRÉ, PRÓ, VICE.

4. Para os demais prefixos e semelhantes, somente quando ligam palavra iniciada com H (super-herói, sobre-humano) ou com a mesma letra que eles terminam (micro-ondas, anti-inflamatório, inter-regional). Se o prefixo terminar por vogal e a outra palavra começar por S ou R, não se usa hífen e duplica-se a letra de ligação: minissaia, ultrassom, contrarrevolução.

5. Prefixos especiais:

AB, OB e AD ─ diante de palavra começada por B, D e R (ob-rogar, ab-rogar).

MAL ─ antes de VOGAL, H ou L (mal-entendido, mal-estar, mal-humorado, mal-limpo) e quando significa doença (mal-francês).

SUB e SOB ─ usam hífen, mesmo diante de palavra iniciada por R (sub-região, sob-roda).

CIRCUM e PAN ─ diante de palavra Iniciada por M, N e VOGAL (circum-murado, pan-americano).

CO ─ junta-se com o segundo elemento sem hífen (coedição, cofundador), mesmo quando este começa por O ou H (neste último caso, corta-se o H: coabitação, coerdeiro); se a palavra seguinte começar com R ou S, dobram-se essas letras: corresponsável, cosseno.

PRE e RE ─ não usam hífen, mesmo diante de palavras começadas por E (preexistente, reescrever).

6. Em sufixos de origem tupi-guarani que representam formas adjetivas, como açu, guaçu, mirim (capim-açu, amoré-guaçu, anajá-mirim).

7. Para unir palavras com sentido de encadeamento (ponte Rio-Niterói, eixo Rio-São Paulo, biênio 2016-2017, páginas 5-9).


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