O sonho de voar

Poesia · Alexandre A. Tavares
Revista Por Ali, nº 9, 02/05/2016

Finalmente ali estava eu, realizando um sonho de criança: qual super-herói dotado de poderes sobrenaturais, eu podia voar! Ah, nada como aquela maravilhosa sensação de liberdade...!

Procurei subir o mais alto que pude, para observar a Terra bem de longe. E quando o ar Começou a rarear, percebi que aquele era o meu limite.

Lá de cima, tudo parecia minúsculo; grandes lagos e gigantescas represas não passavam de poças d’água; largas autoestradas riscavam o solo qual finíssimas linhas; enormes construções figuravam como ínfimos pontinhos; e o ser humano, que eu mais queria observar, sequer aparecia... Então, para vê-lo, baixei centenas de metros. E sobrevoando um movimentado centro urbano, pude contemplar uma miríade de pessoas que se moviam como formiguinhas.

Aquela imagem me impressionou, e ficou bem gravada em minha memória: era como se eu visse o homem com os olhos de Deus: lá do alto, não se distinguia raça, cor, tamanho, sexo, roupas... todos eram iguais. E percebi que no Céu não importam profissão, cargo, status, poder aquisitivo, quantidade de bens, inteligência, dotes naturais, nobreza de sangue... tudo isso é considerado ninharia lá em cima.

Mas notei que todas as coisas que Deus havia criado no universo eram em função e para o uso deste ser pequenino.

E também me dei conta de que, mesmo parecendo tão diminuto e inexpressivo, o homem é, de fato, o gigante da criação, sobre quem recai a atenção de todo o Céu, e de quem sequer um fio de cabelo pode cair sem que o Criador o saiba.

Pois é... Cada pensamento escondido, cada desejo mais recôndito, cada intençãozinha subjetiva vale, para Deus, mais do que todo o colossal movimento das galáxias. Porque foi por cada morador de rua, por cada pobre desamparado, por cada gênio desorientado, por cada rico depressivo, por cada doente desenganado, enfim, por cada pessoinha “insignificante” que o Sangue de Cristo foi derramado. Sim, isto eu vi lá nas alturas com muita clareza: Deus amou o mundo pecador a ponto de lhe dar seu próprio Filho. E quando Ele se uniu assim a essas míseras criaturinhas, elevou sua pequenez a um patamar inimaginável, de modo a revalidar seu intuito criador inicial: definitivamente, fomos feitos à Sua imagem e semelhança!

E foi em meio à tais pensamentos que... desisti de voar: já não precisava mais estar lá em cima; quis descer para o meu lugar e voltar a ser apenas um daqueles minúsculos homenzinhos, porém gigantes, divinizados pela Graça de Deus.

E assim que meus pés tocaram o chão... despertei do meu sonho, mas agora ciente de que voar não era simplesmente um sonho pueril, e sim uma realidade da vida futura, quando nós, ora peregrinos nesta Terra, nos tornarmos voláteis como os anjos, se nos salvarmos.


O grupo Pleni Dei no WhatsApp te avisa exclusivamente quando houver novas pu­blicações:

WhatsApp:
+5512988353744

Email:
plenidei@gmail.com

Centro Educacional Pleni Dei
Copyright © 2019-2025