O que quer meu bebê
Filosofia · Alexandre A. Tavares
Revista Por Ali, nº 8, 02/04/2016
A rotina de um bebê parece ser extremamente simples: mamar, dormir, tomar banho e trocar a fralda; às vezes ficar acordado tentando vislumbrar alguma coisa que sua vista lhe apresenta ainda sem nitidez.
Na realidade, não é tão simples. Desde os primeiros dias de vida, o recém-nascido começa a fazer uso de uma faculdade inata chamada “vontade”.
Face a tudo o que lhe sucede, o bebê vai manifestando aprovação ou rejeição, preferências, prioridades, contentamentos, insatisfações, hábitos, manias, etc. Mas, pela natural condição de sua imaturidade, um minúsculo desejo pode gerar grandes problemas. Porque sua falta de
locomoção e de mobilidade, e sua ausência de palavras lhe torna depende de outrem para tudo.
E aqui entra o papel fundamental da intuição, para quem serve um bebê, pois interpretar sua vontade e dar-lhe o que necessita (ainda que não seja
seu desejo) é uma arte que mereceria anos de universidade.
Mesmo inteiramente saudável, o neném pode chorar para demonstrar qualquer incômodo, como os decorrentes de frio, calor, fome, sede, cansaço de permanecer muito tempo numa mesma posição, fralda suja, ruídos indesejados, solidão, vontade de banho ou de colo, uma atenção especial, etc.
O clímax da dificuldade se dá quando o bebê chora desesperadamente, até esperneando, e nada do que você lhe oferece o satisfaz: mamá, ninar, chupeta, berço, chocalho, conversa, canto, ruídos, silêncio, massagem, fazê-lo arrotar após a mamada, trocar a fralda, deixá-lo olhar para algo interessante, ou pô-lo numa das vinte posições nas quais ele costuma ser carregado ou ficar deitado. Parece que cada segundo que você tarda a descobrir o que pode fazê-lo acalmar-se equivale a horas de sofrimento que você lhe infringe...
Este momento exige uma paciência e uma calma sobrenaturais. Pois a solução pode ser bem mais simples do que você imagina.
O pior é que não existem manuais de funcionamento de bebês, e as soluções variam de uma criança para outra, bem como de uma circunstância para outra.
O que serviu ontem, já não serve hoje; o que funcionou minutos atrás, já não tem efeito agora; o que teria resolvido segundos atrás, já não tem efeito na nova posição que você acabou de colocá-lo, ou no atual grau de irritabilidade.
Nesta situação, o que menos ajuda é perder a paciência: a calma é indispensável para encontrar a saída urgente em todos os casos, até que o bebê cresça e consiga verbalizar suas necessidades. Esse apuro, portanto, tem data para acabar...
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