O nascimento de Jesus, segundo as revelações da Beata Emmerich

História · Alexandre A. Tavares
Revista Por Ali, nº 6, 02/02/2016

Dentre os quatro evangelistas, São Lucas é o que mais narrou detalhes acerca do natal de Jesus. Entretanto, a consideração do nascimento mais importante da história sempre nos aguça a curiosidade e a imaginação sobre pormenores que não foram oficialmente descritos. Por isso, Deus revelou, a alguns de seus amigos íntimos, elementos adicionais aos narrados no Evangelho. Este artigo apresenta um resumo das revelações recebidas por Ana Catarina Emmerich a respeito do nascimento de Jesus:

Jesus Cristo nasceu no ano de 3997 da criação do mundo.

Durante aquela viagem em que a Sagrada Família foi cumprir o decreto de recenseamento, estando Maria já nos dia de dar à luz, José entrou com ela em Belém. Procuraram exaustivamente pousada, mas havia muitos forasteiros na cidade, ocupando todas as hospedagens. Então José disse a Maria que conhecia um lugar fora da cidade, pertencente aos pastores; ali, com certeza, achariam abrigo.

Assim saíram de Belém, rumo a uma colina situada no lado oriental da cidade, na qual havia uma gruta. Uma jumentinha veio-lhes ao encontro, pulando e brincando alegremente. Então disse José: “Vê, de certo é vontade de Deus que aqui fiquemos.” José acendeu uma tocha e, entrando na caverna, tirou algumas coisas de lá, afim de arranjar um lugar de descanso para Maria. Depois a levou para dentro e ela se assentou num leito feito de mantas e sacos de guardar alimentos durante a viagem. José buscou água, frutas e feixes de lenha miúda.

Passaram o dia seguinte na gruta. Maria então avisou a José que já havia passado nove meses desde a anunciação pelo Anjo, e que à meia-noite nasceria seu Filho. José ofereceu-se para chamar algumas mulheres de Belém para assisti-la, mas Maria recusou.

Quando Maria disse ao esposo que o tempo estava próximo, e que a deixasse sozinha e fosse orar, antes de sair, José notou que uma luz começou a envolver Maria; e toda a gruta se iluminou como por uma claridade sobrenatural. Mas para realizar o desejo de Maria, José se retirou e prostrou-se por terra, para rezar.

À meia-noite, estando Maria arrebatada, levitando num êxtase de alegria, olhou para baixo e, de repente, ali viu, reclinado num tapete ao chão, seu divino Filho. Dele emanava um brilho que excedia toda a luz da gruta. Depois de algum tempo, o Menino Jesus moveu-se e começou a chorar. Então Maria voltou a si, tomou o Bebê, cobrindo-o com um pano, estreitou-o ao peito e se sentou.

Então apareceram anjos em forma humana, prostrados em adoração diante do Menino.

Um tempo depois, Maria chamou José, que ainda estava rezando. Assim que se aproximou e viu o Menino, o nobre José prostrou-se em adoração. Maria então lhe ofereceu o Menino, e ele o recebeu com lágrimas de alegria.

Ao devolver o Pequeno a Maria, ela o envolveu em panos, deitou-o numa manjedoura que estava do lado direito da gruta, e o cobriu com uma manta. Os santos Pais, tendo deitado o menino no presépio (estábulo), ficaram junto dele, cantando-lhe salmos.

O Verbo fizera-se carne e cumprira-se a profecia de Isaías: a Virgem concebera e dera à luz um filho, cujo nome é Emanuel, “Deus conosco”. (Is 7, 14)

Avisados pelos anjos, dirigiram-se à gruta alguns grupos de pastores da região. Ao crepúsculo da manhã chegaram ao presépio com presentes. Contaram a José o que lhes anunciara o Anjo, e que vinham para adorar o Messias. José aceitou os presentes, com humildes agradecimentos, e conduziu os pastores até a manjedoura. Eles então se ajoelharam diante de Jesus, com lágrimas de alegria, e assim permaneceram muito tempo, tomados de grande felicidade e doçura. Pela tarde vieram outros pastores, com mulheres e crianças, trazendo também presentes.

Alguns dias depois do nascimento de Jesus, estando José e Maria ao lado do presépio e olhando com grande e íntima felicidade para o divino Menino, aproximou-se de súbito um jumento e, dobrando os joelhos, baixou a cabeça, emocionando o santo casal.

Prece a Jesus Pequenino

Ó Jesus Pequenino, que escolhestes para nascer uma pobre gruta em Belém, numa fria noite de inverno, assistido por simples animais e adorado por humildes pastores, vosso Natal é a primeira grande lição que nos dais de suma despretensão.

Vós poderíeis vir ao mundo com toda a pompa e majestade digna de vossa divindade; mas, para inaugurar vossa obra redentora, escolhestes a simplicidade e o abandono, indicando-nos que a vida terrena não é para o fausto nem para o prazer, mas exclusivamente para a glória de Deus.

Nosso Pequeno Jesus, reclinado em singela manjedoura, Vós viestes à luz confirmando as palavras de vossa Mãe a Isabel: “Os humildes serão exaltados; e os poderosos, derrubados de seu trono.”

Compenetrai-nos, Senhor, de que tudo neste mundo é passageiro e enganador; a vida se vai, e somente uma coisa permanece: o amor. “No entardecer desta vida, seremos julgados segundo o amor.” (S. João da Cruz) E este infinito amor, que de Vós transbordou logo nos primeiros minutos de vida, é o único bem que podemos levar para a eternidade.

Por isso nós vos pedimos, Divino Bebê, que nosso coração seja igual ao vosso. Ajoelhados diante do vosso presépio, suplicamo-vos que uma centelha da vossa infinita despretensão abrase os nossos corações, de forma a desprezarmos tudo o que neste Vale de Lágrimas não seja o vosso puro amor.

Unindo nossas preces à modéstia de Maria e de José, damo-vos graças pela forma majestosa e encantadora com que aparecestes para nos redimir. Adoramo-vos carinhosamente em vosso santo Natal, ecoando o hino dos anjos: “Gloria a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens por Ele amados!” A Vós, Divino Infante, todo louvor, honra e glória, pelos séculos sem fim!


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