Novíssimos, uma realidade na qual faz bem pensar

Espiritualidade · Alexandre A. Tavares
Revista Por Ali, nº 10, 02/06/2016

Morte, Juízo, Céu e Inferno são uma realidade incontestável, na qual infelizmente muita gente evita pensar. E isso não é bom; pelo contrário, “pensa nos teus novíssimos e não pecarás”! Este sábio conselho do Eclesiástico (7, 40) nos ensina a evitar o pecado através da recordação das coisas que acontecerão no fim de nossa vida: a morte, nosso julgamento por Deus, e o nosso destino eterno: o Céu ou o Inferno.

E como bem lembrou o papa São João Paulo II, “a Igreja não pode omitir, sem grave mutilação da sua mensagem essencial, uma catequese constante sobre o que a linguagem cristã tradicional designa como os quatro últimos fins do homem: Morte, Juízo, Inferno e Paraíso”. (Exortação Apostólica Reconciliatio et pænitentia, 2/12/1984).

Numa época como a nossa, em que as pessoas vivem pensando só no momento presente, numa busca desgovernada pelo prazer, sem se incomodar com o que acontece após a morte, a vida torna-se uma busca constante pela satisfação do ego, em detrimento do amor de Deus.

Ora, a vida terrena não é um fim, mas sim um meio para se alcançar o Céu. Somente quem vive em função da eternidade é que está com os olhos postos realmente onde se deve.

Deus nos criou por um ato de bondade, para que participemos da alegria eterna d’Ele no Céu. Para isso, foi necessário criar-nos inteligentes e com a vontade livre. Portanto, Deus não pode nos dar a glória celeste sem que o queiramos e o demonstremos através de uma vida santa, na qual O amemos acima de todas as coisas, rejeitando o que for preciso em favor deste amor. O Céu não é obtido passivamente nem com “jeitinhos”, mas sim com muito empenho e muita oração.

O que dizer, então, daqueles que não querem se esforçar para ir ao Céu, e que não reconhecem a infinita bondade de Deus, não O amam suficientemente para desejar estar com Ele no Paraíso? Poderiam eles rejeitar assim seu Criador sem uma punição proporcional? Não, pois a recusa ou o desprezo a Deus não pode ficar impune. E para isso existe um lugar de justa punição, destinado aos que não quiseram ir ao Céu: este é o Inferno, onde já estão todos os anjos e os homens que recusaram a felicidade eterna.

A bem da verdade, nenhum castigo poderia ser proporcional à rejeição a Deus. Pelo que se conclui que os tormentos do Inferno são bem inferiores às ofensas feitas ao Criador.

O mais assustador é que todos rumamos para a morte, e ela não tem volta: nosso julgamento é irreversível, como o é também a sentença final, ou seja, o prêmio ou o castigo. A vida é uma chance única; nela tudo se decide.

Então, deixemos de perder empo com coisas que não nos levam à salvação: empenhemo-nos com todo o nosso coração em buscar sempre a vontade de Deus e a união com Ele; voemos para o Céu tão rápido quanto nos seja possível, abandonemos tudo o que nos separa de nosso Criador e vivamos santamente, pois o que nos espera no Céu é de uma grandeza totalmente desproporcional a qualquer esforço que façamos aqui na Terra.


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