Nossa Senhora do Perpétuo Socorro
História · Alexandre A. Tavares
Revista Por Ali, nº 8, 02/04/2016
Segundo a tradição, esse milagroso quadro de Maria com o Menino tem uma origem misteriosa, e começou a ser venerado numa igreja da Ilha de Creta, ao sul da Grécia, no final do século XV.
Dali foi roubado por um comerciante e levado para ser vendido na Itália. Mas o ladrão desistiu de vendê-lo, e estando no leito de morte, chamou um amigo e pediu que o devolvesse a uma igreja. O amigo, porém, levou o ícone para casa e não quis se desfazer dele, mesmo depois de Maria ter-lhe aparecido quatro vezes cobrando sua devolução. E o infeliz acabou morrendo sem entregar o quadro...
Maria apareceu então à sua filha de seis anos, dizendo: “Avisa a tua mãe que Santa Maria do Perpétuo Socorro quer que a tireis desta casa, se não quereis morrer todos sem demora.” À viúva já havia tido uma visão igual à de sua filha e, por isso, resolveu tomar a sério a advertência de Nossa Senhora.
Mas como ainda assim demorasse em obedecer, Nossa Senhora apareceu outra vez à menina e lhe ordenou: “Levem minha imagem para a Igreja de São Mateus, situada na Via Merulana, entre as basílicas Santa Maria Maior e São João de Latrão. Ali deverá ser cultuada como Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.”
A partir de então, a pequena Igreja de São Mateus abrigou o quadro durante três séculos, sob os cuidados dos agostinianos irlandeses que lá formavam seminaristas. Ali acorriam de todas as partes os fiéis em tão grande número que, em pouco tempo, à igreja tornou-se uma das mais visitadas de Roma, devido à fama dos milagres operados por intercessão da Virgem do Perpétuo Socorro.
Entretanto, em 1798 as tropas de Napoleão Bonaparte invadiram a Cidade Eterna, prenderam e exilaram o Papa Pio VI e, alegando que precisavam fortalecer as defesas da cidade, destruíram 30 igrejas, entre elas a de São Mateus. Alguns frades se refugiaram numa igreja vizinha, levando consigo o ícone de Nossa Senhora.
Em 1819 esses agostinianos se transferiram para a Igreja de Santa Maria in Posterula, levando consigo sua valiosa relíquia, o quadro da Virgem do Perpétuo Socorro. Como, porém, naquela igreja já era venerada a imagem de Nossa Senhora das Graças, o Ícone recém-chegado foi posto numa capela interna do convento, longe da devoção popular.
Assim, o quadro passou décadas no esquecimento, até que os padres redentoristas, a convite do Papa Beato Pio IX, adquiriram uma propriedade em Roma para fazer dela a Casa Generalícia da sua congregação missionária.
Ora, esse terreno ficava na Via Merulana, junto às ruínas da igreja e do convento de São Mateus. Sem perceber, tinham se tornado donos do local onde, décadas atrás, a própria Virgem Santíssima escolhera para seu santuário, entre as basílicas Santa Maria Maior e São João de Latrão.
Assim que se deram conta da coincidência, os redentoristas firmaram o propósito de expor o quadro no seu antigo local de veneração pública.
Então, numa audiência com o beato papa Pio IX, os redentoristas receberam do pontífice esta augusta missão, a respeito da Mãe do Perpétuo Socorro: “Tornai-a conhecida no mundo inteiro!”
Por isso, até hoje o milagroso ícone acolhe em seu santuário, anualmente, milhares de peregrinos vindos de todas as partes do globo. E graças ao apostólico trabalho dos filhos de Santo Afonso, inúmeras igrejas dedicadas à Mãe do Perpétuo Socorro foram erguidas nos cinco continentes.
O quadro oriental de Nossa Senhora mede meio metro de altura, e é o mais conhecido e venerado dos “ícones da Paixão” da arte bizantina, assim chamados por trazerem os instrumentos da Paixão.
O fundo dourado sobre a madeira era usado para retratar grandes personalidades.
Maria segura solicitamente Jesus, que se apoia com firmeza na mão direita d'Ela.
Os olhos do Menino estão voltados para os dois anjos que seguram os instrumentos da Paixão: à esquerda, São Miguel, de manto verde, com a lança, a esponja de fel e o cálice da amargura; à direita, São Gabriel, de manto lilás, com a cruz e os cravos que perfuraram os pés e mãos do Redentor. A mão esquerda de Maria sustenta o Menino.
A sandália do pé direito do Menino Jesus está pendurada apenas por um fio, quase caindo.
Sob o manto azul (símbolo da virgindade nos primórdios do Cristianismo), Maria veste uma túnica vermelha (símbolo da caridade). Essa combinação cromática define, pois, excelentemente Nossa Senhora: Virgem e Mãe.
Nota-se também o verde no forro de seu manto, e a composição dessas três cores era de uso exclusivo da realeza. Assim, a dignidade régia da Rainha dos Anjos e dos Santos está bem representada em suas vestimentas.
No alto do quadro estão escritas em grego as iniciais da expressão “Mãe de Deus”; ao lado da cabeça do Menino Jesus, as iniciais de “Jesus Cristo”; acima do anjo da esquerda, “Arcanjo Miguel”; e do anjo da direita, “Arcanjo Gabriel”.
Ó querida Mãe do Perpétuo Socorro, dai-nos a graça de confiar sempre no vosso auxílio tão misericordioso e sempre recorrer ao à vossa infalível ajuda!
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