Nossa Senhora Aparecida
História · Alexandre A. Tavares, 30/07/2024
A imagem “aparecida”
Em outubro de 1717, o Conde de Assumar, governador de São Paulo e Minas Gerais, estando de passagem pela região de Guaratinguetá, foi visitar a pequena Vila de Santo Antônio.
Para o banquete que lhe seria oferecido, os pescadores João, Felipe e Domingos foram encarregados de trazer peixes do Rio Paraíba.
Lá foram os três. Entraram no barco, jogaram a rede nas águas turvas do rio e, desde a primeira vez que a recolhera, perceberam que o dia não era propício para a pesca.
Embora os peixes não viessem na rede, numa das vezes levantaram o corpo de uma uma estatueta, sem cabeça, que parecia representar a Virgem Maria.
Foram então descendo o rio, para ver se mais abaixo encontravam algum peixe para o banquete. E para sua grande surpresa, apareceu na rede a cabeça da imagem. E, a partir deste momento, começaram a levantar abundantes peixes na rede.
Na casa de Domingos selecionaram os peixes que seriam preparados para o banquete. Quanto à imagem, a esposa de Domingos colou as partes e a depositou no altarzinho da família. Era esculpida em barro, com 36 centímetros de altura e pesava de 2,5 kg.
Início da devoção
Tomando conhecimento do ocorrido, o povo considerou milagrosa a pesca e, principalmente, o aparecimento da imagenzinha.
Um grupo de fiéis devotos da Virgem Maria começou a se reunir todo sábado diante da imagem, na casa de Domingos para rezar o terço e cantar a ladainha.
Chamada de Aparecida, durante os próximos 15 anos a imagem peregrinou pela região, realizando milagres.
As velas
Certa vez, estando acessas duas velas ao lado da imagem, o vento as apagou. Uma das devotas levantou-se para acendê-las quando, inesperada e inexplicavelmente, as velas reacenderam sozinhas.
Em 1732, o Filho de Felipe construiu um oratório para abrigar a imagem e, em 1740, foi-lhe erguida uma capela.
E como o número de devotos se ampliasse sempre mais, em maio de 1743, o bispo do Rio de Janeiro, Dom João da Cruz, aprovou oficialmente o culto à Mãe Aparecida.
Dois anos depois, foi construída a igreja no Morro dos Coqueiros, em torno da qual se formou o Cetro histórico da cidade.
Havia na igreja um salão destinado a receber objetos simbólicos de pessoas beneficiadas por graças recebidas, chamada Sala dos Milagres.
A menina cega
Um dos milagres mais impressionantes se deu em 1874, quando a filha de Gertrudes Vaz, cega de nascença, tendo ouvido falar dos milagres, insistiu com sua mãe para irem a Aparecida. Depois de três meses, aproximando-se do santuário, a menina exclamou: “Olhe, mamãe, a capela da Santa!” E a peregrinação que seria para pedir o milagre consistiu apenas num agradecimento pela antecipação da Mãe Aparecida.
O escravo Zacarias
Um feitor passou pela cidade carregando acorrentado um escravo que havia fugido da fazenda na qual trabalhava.
Diante do Santuário, o negro Zacarias pediu para rezar aos pés da Mãe Aparecida. Orou então com muita fé, até que se soltaram as correntes que lhe prendiam.
O cavaleiro cuiabano
Um dia, um cavaleiro de Cuiabá, conhecido por sua impiedade e zombaria contra a religião, parou seu cavalo bem diante do santuário. Em atitude e deboche, decidiu entrar montado na igreja. Tocou então o cavalo, mas as patas do animal ficaram presas no primeiro degrau da escada, causando-lhe grande espanto e constrangimento.
A Princesa Isabel
Reinando já havia vários anos, a Princesa Isabel não tinha sucessores para o trono. Em 1887 dirigiu-se a Aparecida, a fim de pedir à Virgem Maria a graça de ter filhos.
De fato, nos quatro anos seguintes ela teve 3 filhos. E em agradecimento a Nossa Senhora, a princesa se desfez de uma porção de jóias pessoais, com as quais mandou tecer e ornar um manto azul para a imagem de Aparecida, cujo modelo é usado até hoje.
Durante muito tempo a imagem permaneceu desnuda, como foi encontrada no rio. Depois ela recebeu um pedestal de prata, para ficar mais alta e poder ser melhor vista pelos fiéis. Agora a Princesa lhe presenteou o manto.
Em 1888, a Princesa Isabel aboliu a escravidão no Brasil. Pela nobreza desse gesto, recebeu do Sumo Pontífice a Rosa de Ouro, uma rara condecoração.
Por outro lado, o feito lhe atraiu o ódio de muitos fazendeiros, que deixaram de ter a mão de obra gratuita em seus empreendimentos. Recebeu inclusive esta ameaça da maçonaria: “Sua majestade se arrependerá do que fez, dando liberdade aos negros, porque a Senhora não há de se sentar no trono do Brasil.” Sua resposta destemida foi: “Pela libertação dos negros, se mil tronos eu tivesse, mil tronos eu daria. E se eu não governar o Brasil, eu já sei quem há de governar.”
Sim, pois a Princesa entregaria o governo à própria Mãe de Deus, representada pela pequena imagem de Aparecida. Daí a princesa ter mandado fabricar a coroa que até hoje cobre a fronte da imagem, gesto simbólico que foi acompanhado de um bilhete que depositou aos pés da Virgem Maria:
“Eu, diante de Vós, sou uma Princesa da terra e me curvo, pois és a Rainha do Céu. E Te dou tão pobre presente que é uma coroa que seria igual à minha, e se eu não me sentar no Trono do Brasil, rogo que a Senhora se sente nele por mim e governe perpetuamente o Brasil.”
A Basílica Nova
A atual basílica foi construída sobre o Morro das Pitas, tendo suas obras iniciado em 1952 e terminado na década de 1980.
Ações dos Papas a respeito da imagem de Nossa Senhora Aparecida:
• Leão XIII mencionou a devoção brasileira a esta imagem chamada “Nossa Senhora da Conceição Aparecida" antes de sua morte em 1903;
• São Pio X concedeu uma coroação canônica a esta mesma imagem em 8 de dezembro de 1904;
• Pio XI declarou o mesmo título mariano de Padroeira do Brasil por meio de uma bula papal assinada em 16 de julho de 1930, também testemunhada e assinada pelo cardeal Eugenio Pacelli, futuro Papa Pio XII;
• Paulo VI concedeu-lhe sua primeira Rosa de Ouro em 12 de agosto de 1967;
• São João Paulo II elevou e consagrou formalmente o santuário como Basílica em 4 de julho de 1980.
• Bento XVI visitou a Basílica do Santuário de Aparecida em 12 de maio de 2007, durante sua Viagem Apostólica ao Brasil por ocasião da V Conferência Geral dos Bispos da América Latina e do Caribe. Durante sua visita, o Papa premiou o Santuário com uma Rosa de Ouro;
• Por ocasião da Jornada Mundial da Juventude, o Papa Francisco visitou a basílica em 24 de julho de 2013, celebrando a missa ali.
• Em novembro de 2016, por decreto do Papa Francisco, a basílica foi elevada à dignidade de Igreja-Catedral da Arquidiocese de Aparecida, título transferido da Igreja de Santo Antônio, em Guaratinguetá. Com este título, o santuário se tornou a maior catedral da Cristandade.
O grupo Pleni Dei no WhatsApp te avisa exclusivamente quando houver novas publicações:
WhatsApp:
+5512988353744
Email:
plenidei@gmail.com
Centro Educacional Pleni Dei
Copyright © 2019-2025