Modelo de Perfeição
Espiritualidade · Alexandre A. Tavares, 25/06/2023
Introdução
Antes de destruir a civilização pré-diluviana, Deus declarou ter-se “arrependido de criar o homem”.
Sabia Ele que criar seres inteligentes era um grande risco, devido à necessidade de criá-los com vontade livre, capazes de ditar seu próprio comportamento.
Com efeito, o homem é livre para usar “como quiser” sua inteligência e sua vontade. Liberdade esta que constitui um perigo, uma vez que sua inteligência é falha, defeituosa, e sua vontade é desordenada, tendente a fazer o mal para atender os caprichos de sua sensibilidade e instintos desregrados.
O home é, pois, um ser “semelhante a Deus”, criado para agir conforme a perfeição divina, mas passível de agir erroneamente, prejudicando a si mesmo e a seu próximo.
Prova disto é a quantidade de crimes que ele comete, desde a sua criação.
Felizmente, é-nos possível nos comportarmos divinamente, honrando assim nossa semelhança com o Criador. E isto é possível através da Graça divina.
A graça é uma ajuda de Deus, para sanar as nossas misérias. Ela ilumina nossa inteligência, fortalece nossa vontade e equilibra nossa sensibilidade, divinizando o nosso ser e elevando-o ao patamar de Deus.
Ingressamos, então, num estado de perfeição em que o Espírito Santo nos guia, através seus dons: piedade, temor, fortaleza, conselho, ciência, entendimento e sabedoria.
O normal seria que todo ser humano vivesse assim conectado à ação da Graça e do Espírito Santo. O que o impede? Seu amor-próprio seu apego a si mesmo, seu gosto de satisfazer desejos egoístas, prazeres mundanos, vivendo assim uma suposta liberdade, baseada em seus próprios planos e projetos.
A liberdade humana
Equivoca-se quem julga que o homem é livre para fazer “o que quiser”. Na verdade, ele tem a “possibilidade” de fazer o que quiser, mas não a liberdade. Pois a liberdade é um dom concedido por Deus para fazer apenas o bem. Ou seja, nada e ninguém pode nos impedir de fazer o bem. E se nisto formos impedidos, estaremos imitando a Cristo e acumulando créditos de valor incalculável para nossa glória no Céu.
O viver na perfeição
Se o proceder humano foi capaz de levar Deus a arrepender-se de tê-lo criado, que tipo de atitude seria capaz de agradar a Deus a ponto de termos valido a pena?
Houve, na história da humanidade, alguém que agiu assim? Houve! O Homem-Deus, Jesus Cristo, que não apenas fez compensar a criação dos homens, mas também nos ensinou como fazer isto.
Cristo, o Modelo
Todos os episódios da vida de Jesus, bem como seus ensinamentos, permitem-nos saber como agradar a Deus e dar-Lhe nesta vida toda a glória que nos seja possível.
Talvez possamos resumir esta atitude em duas palavras: amor incondicional. Um amor sem limitações, sem lamentações, sem restrições, sem fronteiras, confiante, generoso, eterno, como o amor de que Jesus nos deu prova durante toda a sua vida, em especial durante sua dolorosíssima Paixão.
Entrega da própria vontade
“Não vim para fazer a minha vontade, mas a do Pai que me enviou.”
Para cada ser humano criado, Deus tem um plano de perfeição, um desígnio, que é a vontade divina a nosso respeito. Ora, essa vontade é distinta da nossa vontade pessoal.
Também Cristo, em sua natureza humana, tinha uma vontade própria, livre. Mas submeteu-a incondicionalmente à de Deus: “Faça-se a tua vontade, e não a minha.”
Cristo viveu pelo Espírito Santo, seguindo suas divinas inspirações, sempre rejeitando sua vontade própria, quando esta divergia da de Deus.
Talvez o Jesus adolescente preferisse ficar no Templo de Jerusalém, discutindo com os doutores, ensinando os desinformados, sanando as dificuldades dos necessitados… Mas não foi esta sua decisão. Diante desta possibilidade, Ele optou por permanecer “submisso a seus pais em Nazaré”, como narra o Evangelho após o episódio da perda e do reencontro no Templo. Porque esta era, obviamente, a vontade do Pai.
Do mesmo modo, podemos viver assim submissos ao Espírito Santo, fazendo não o que planejamos, escolhemos e queremos, mas tão somente o que é a vontade de Deus.
Todo o proceder de Cristo estava submetido ao querer de Deus: o bem que Ele fazia ou deixava de fazer a alguém, os lugares para onde Ele ia, os momentos em que Ele jejuava ou se alimentava, as palavras que dizia, os conselhos que dava, os momentos que se retirava em oração, etc.
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