Minta, minta!
Reflexão · Alexandre A. Tavares, 12/01/2022
Em seus delírios perversos, o iluminista Voltaire, um dos idealizadores da Revolução Francesa, dizia: “Minta, minta: sempre ficará algo.”
“Mentez, mentez, toujours il en restera quelque chose.”
François-Marie Arouet, mais conhecido pelo pseudônimo de Voltaire (Paris, 1694-1778).
Há gente que mente para se safar de situações vergonhosas; outros para adquirir benefícios; outros para aparecer, chamar a atenção dos outros. Mas esta frase de Voltaire se aplica a um tipo específico de mentiroso, que mente com o intuito malicioso de prejudicar. Parece haver aí uma certa participação naquele gaudium fantasticum diabólico, de que fala São Tomás de Aquino, que expressa a “alegria fantasiosa” que tem o demônio ao prejudicar os homens. Em alemão se diz “Schadenfreude ist die beste Freude” (o prazer de prejudicar é o melhor prazer).
A maldade da atitude se revela principalmente no “sempre ficará algo”: mesmo depois de refutada a mentira e comprovada a verdade, é como se não fosse possível limpar totalmente o estrago causado.
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