Mensagem da Misericórdia

Espiritualidade · Alexandre A. Tavares
Revista Por Ali, nº 5, 02/01/2016

Santa Faustina nasceu em 1905 na Polônia, e quando contava vinte anos recebeu de Jesus uma importante missão: “Tua tarefa é escrever tudo que te dou a conhecer sobre a minha Misericórdia para o proveito das almas, as quais lendo estes escritos, experimentarão consolo na alma e terão coragem de se aproximar de mim. E, por isso, desejo que dediques todos os momentos livres a escrever” (nº 1693).

“Meu Coração está repleto de grande misericórdia para com as almas, e especialmente para com os pobres pecadores. Oxalá possam compreender que Eu sou para eles o melhor Pai, que por eles jorrou do meu Coração o Sangue e a Água como de uma fonte transbordante de misericórdia. Para eles resido no Sacrário e como Rei de Misericórdia desejo conceder graças às almas. (...) Oh! como é grande a indiferença das almas para com tanta bondade, para com tantas provas de amor! (...) para tudo têm tempo, apenas não têm tempo para virem buscar as minhas Graças” (Diário, 367).

“Ó infelizes, que não aproveitais esse milagre da misericórdia de Deus! Clamareis em vão, pois já será tarde demais” (Diário, 1448).

“Diz aos pecadores que ninguém escapará do meu Braço. Se fogem do meu misericordioso Coração, hão de cair nas mãos da minha Justiça. Diz aos pecadores que sempre espero por eles, presto atenção ao pulsar dos corações deles, para ver quando batem por mim. Escreve que falo a eles pelos remorsos da consciência, pelos malogros e sofrimentos, pelas tempestades e raios; falo pela voz da Igreja e, se menosprezarem todas as minhas Graças, começarei a me zangar com eles, deixando-os a si mesmos, e dou-lhes o que desejam” (Diário, 1728).

Lamentável é assistir em nossos dias tantas pessoas buscando realizar sua vontade própria, sem se preocupar com a divina Vontade. E quando conseguem, enchem-se de orgulho julgando-se vitoriosas, quando, na verdade, seu aparente sucesso é o começo de um castigo: “dou-lhes o que desejam”... Quantos sucessos financeiros, quantas grandes realizações, fama, conquistas amorosas, etc., são concessões de Deus não como graças, mas como realização de desejos pessoais que depois serão punidos eternamente...! Pensemos nos desvarios de tanta gente que se põe a realizar sonhos egoístas, apoiados em leis de atração e demais teorias pagãs...

“... vi duas estradas: Uma estrada larga, atapetada de areia e flores, cheia de alegria e de música e de vários prazeres. As pessoas caminhavam por essa estrada dançando e se divertindo ─ estavam chegando ao fim, sem perceber. E, no final dessa estrada, havia um enorme precipício, ou seja, o abismo do Inferno. Essas almas caíam às cegas na voragem desse abismo; à medida que iam chegando, assim tombavam. E seu número era tão grande que não era possível contá-las. E avistei uma outra estrada, ou antes uma vereda, porque era estreita e cheia de espinhos e de pedras, por onde as pessoas seguiam com lágrimas nos olhos e sofrendo dores diversas. Uns tropeçavam e caíam por cima dessas pedras, mas logo se levantavam e iam adiante. E no final da estrada havia um magnífico jardim, repleto de todos os tipos de felicidade e aí entravam todas essas almas. Já no primeiro momento, esqueciam de seus sofrimentos” (Diário, 153).

“... se a alma ama sinceramente a Deus e está unida com Ele interiormente, ainda que exteriormente se encontre em condições difíceis, nada consegue perturbar o seu interior e, mesmo no meio da corrupção, pode permanecer pura e íntegra, porque o grande amor a Deus lhe dá força para a luta, e também Deus a defende de maneira especial, até milagrosamente, se O ama sinceramente” (Diário, 1094).

“Tudo o que é nobre e belo está em Deus (...). Ó sábios do mundo e grandes inteligências, conhecei que a verdadeira grandeza está em amar a Deus” (Diário, 990).

“A verdadeira grandeza da alma está no amor a Deus e na humildade” (Diário, 427).

“Jesus, Vós me dais a conhecer e compreender em que consiste a grandeza da alma: não em grandes ações, mas em um grande amor. O amor tem valor e ele dá grandeza aos nossos atos. Embora as nossas ações sejam banais e vulgares por si mesmas, pelo amor tornam-se importantes e poderosas diante de Deus” (Diário, 889).

“Quando a alma se aprofunda no abismo da sua miséria, Deus utiliza sua Onipotência para enaltecê-la. Se existe na Terra uma alma verdadeiramente feliz, é apenas a alma verdadeiramente humilde. De início, sofre muito com isso o amor próprio, mas Deus, após o corajoso combate, concede à alma muitas luzes, pelas quais ela conhece como tudo é desprezível e cheio de ilusão” (Diário, 593).

“Para a alma humilde estão abertas as comportas do Céu, e cai sobre ela um mar de graças (...). Uma alma assim é onipotente, ela influi no destino do mundo inteiro” (Diário, 1306).

“... três virtudes devem adornar-te especialmente: humildade, pureza de intenção e amor” (Diário, 1779).

“Estou exigindo de ti um sacrifício perfeito de oblação ─ o sacrifício da vontade. Nenhum outro sacrifício pode-se comparar com ele. Sou Eu mesmo que dirijo a tua vida e faço tudo de tal forma que sejas para mim contínuo sacrifício. Farás sempre a minha Vontade e, para completar esse sacrifício, te unirás a mim na Cruz. Sei o que podes. Eu mesmo te darei muitas ordens diretamente, mas atrasarei e farei depender de outros a possibilidade de execução das mesmas. (...) deves saber, minha filha, que esse sacrifício durará até a morte” (Diário, 923).

“... conduzida por um Anjo, fui levada às profundezas do Inferno. (...) Eu teria morrido vendo esses terríveis tormentos, se não me sustentasse a onipotência de Deus. Que o pecador saiba que será atormentado com o sentido com que pecou, por toda a eternidade. Estou escrevendo isso por ordem de Deus, para que nenhuma alma se escuse dizendo que não há Inferno, ou que ninguém esteve lá e não sabe como é. Percebi, no entanto, uma coisa: o maior número das almas que lá estão é justamente daqueles que não acreditavam que o Inferno existe. Quando voltei a mim, não podia me refazer do terror de ver como as almas sofrem terrivelmente ali e, por isso, rezo com mais fervor ainda pela conversão dos pecadores” (Diário, 741).

“Encontrei-me num lugar enevoado, cheio de fogo e, dentro deste, uma multidão de almas sofredoras. Essas almas rezavam com muito fervor, mas sem resultado para si mesmas; apenas nós podemos ajudá-las. (...) O maior sofrimento delas era o anseio de Deus. Vi Nossa Senhora que visitava as almas no Purgatório. As almas chamam a Maria “Estrela do Mar”. Ela lhes traz alívio” (Diário, 20).

“... Hoje estive no Céu, em espírito, e vi as belezas inconcebíveis e a felicidade que nos espera depois da morte. Vi como todas as criaturas prestam incessantemente honra e glória a Deus. Vi como é grande a felicidade em Deus, que se derrama sobre todas as criaturas, tornando-as felizes: e então toda a glória e honra procedente da felicidade voltam à sua fonte e penetram na profundeza de Deus, contemplando a sua Vida interior. (...) Essa Fonte de felicidade é imutável em sua essência, mas sempre nova, jorrando para a felicidade de toda criatura” (Diário, 777).

“Na minha vida há instantes e momentos de conhecimento interior, ou seja, luzes divinas pelas quais a alma recebe um ensinamento interior sobre coisas que nem leu em livros, nem foi instruída por qualquer pessoa. São momentos de conhecimento interior que o próprio Deus concede à alma. São grandes mistérios” (Diário, 1102).

“Deus aproxima-se da alma duma maneira especial, conhecida apenas por Ele e pela alma. Ninguém percebe essa união misteriosa. Nessa união preside o amor e é só o amor que realiza tudo. Jesus se comunica com a alma de forma delicada e doce, e, no seu âmago, há a paz. Jesus lhe concede muitas graças, torna a alma capaz de participar dos seus Pensamentos eternos e, algumas vezes, desvenda à alma seus divinos desígnios” (Diário, 622).

“O Senhor, se exige alguma coisa da alma, dá-lhe a possibilidade de executá-la e, pela graça, torna-a capaz de realizar o que dela exige. E, assim, ainda que a alma seja a mais miserável, pode por ordem do Senhor empreender coisas que ultrapassam o seu entendimento. O sinal pelo qual se pode conhecer que o Senhor está com essa alma é que nela se manifesta esse poder e essa força de Deus que a torna corajosa e valente. Quanto a mim, sempre de início me atemorizo um pouco com a grandeza do Senhor, mas depois penetra na minha alma uma paz profunda e imperturbável, uma força interior para o que o Senhor está exigindo em determinado momento” (Diário, 1090).

“Deus se comunica à alma de maneira amorosa e a atrai para a profundeza inescrutável da sua Divindade. Mas, ao mesmo tempo, a deixa aqui na Terra unicamente para que sofra e agonize de anseio por Ele. E esse amor forte é tão puro que o próprio Deus se deleita nele, e o amor-próprio não tem parte nas suas ações, (...) e assim [a alma] é capaz de grandes feitos por Deus” (Diário, 856).

“As almas eleitas são como luzes em minhas Mãos, luzes que lanço na escuridão do mundo e o ilumino. Como as estrelas iluminam a noite, assim as almas eleitas iluminam a Terra. E quanto mais perfeita é a alma, tanto mais luz lança em torno de si e alcança mais longe. Pode ser oculta e desconhecida até pelos mais próximos, porém a sua santidade reflete-se nas almas até nos mais distantes confins do mundo” (Diário, 1601).

“.. existem almas ─ que vivem no mundo ─ que me amam sinceramente. Permaneço com prazer em seus corações. Mas não são muitas. Existem também, nos conventos, almas que enchem de alegria meu Coração. Nelas estão gravadas minhas Feições (...) mas o seu número é muito pequeno. Elas são o baluarte contra a justiça do Pai Celestial, e elas alcançam a misericórdia para o mundo. O amor e o sacrifício dessas almas sustentam a existência do mundo” (Diário, 367).


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