Lumen Maris
História · Alexandre A. Tavares
Revista Por Ali, nº 2, 02/10/2015
Quem olha para a montanha que medeia as praias do Pulso e Maranduba, avista o mais imponente castelo de Ubatuba, o Lumen Maris.
A propriedade pertence aos Arautos do Evangelho, instituição católica de direito pontifício. Sua edificação remonta ao início do milênio, quando grupos dos arautos vinham repousar após longos e cansativos períodos de missões pelo Brasil e pelo Exterior.
Missões que consistiam geralmente em turnês musicais que chegavam a durar até quarenta dias, num ritmo exaustivo de apresentações. Por isso, ao concluirem estes ciclos, vinham passar um tempo no Litoral, a fim de repousar em casas alugadas.
Na Praia do Pulso, a atividade preferida dos arautos era passar horas conversando dentro do mar, entre a orla e a ilha, rodeando-a por vezes, a nado.
Dali do mar, a montanha apresentava uma vista majestosa. Um dia, contemplando-a, o maestro João Clá disse: “Que bom se tivéssemos uma casa lá no alto...!" O comentário não poderia ter sido feito em melhor circunstância. Pois ali, junto com o grupo, estava como visitante uma pessoa que tornaria, este sonho, realidade.
Tratava-se de um empresário espanhol que fizera uma promessa a Nossa Senhora de Pilar, padroeira de Saragoça: se tivesse sucesso numa rentável negociação que estava prestes a realizar, compraria o terreno e ali construiria uma bonita casa.
Não tardou para chegar a boa notícia: a Mãe de Deus concretizara o negócio do espanhol, e o sonho dos arautos. E em homenagem a Maria, foi dada àquela casa o nome latino Lumen Maris, invocação mariana que significa Luz do Mar.
Um jardim interno acolhe réplicas das doze estátuas dos profetas de Aleijadinho (Congonhas do Campo, MG). Esta e outras maravilhas ostentam a grande capacidade de criar belezas, típica dos arautos.
Embora nada supere a paradisíaca vista panorâmica que ali se contempla, o estilo gótico escolhido para os edifícios ─ especialmente o da igreja ─ faz jus à magnífica paisagem, até enobrecendo-a, numa perfeita harmonia.
Hoje, mais de uma década depois, a construção ainda não está totalmente concluída, mas quem quiser apreciar sua beleza arquitetônica, pode visitá-la aos domingos, durante a missa, ocasião em que a casa é aberta ao público.
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