Lógica e dinâmica do amor
Espiritualidade · Alexandre A. Tavares, 25/01/2025
“No entardecer desta vida, sereis julgados segundo o amor”, disse São João da Cruz.
Pois o amor é que guia nossas retas atitudes, através das boas decisões.
Ora, essas decisões se baseiam em nossos pensamentos. E estes últimos são influenciados por três fontes: as notícias captadas por nossos sentidos; a nossa vontade (onde mora tanto o amor quanto o desamor); e a Graça divina, sem a qual o amor não é capaz de vencer o desamor. Os sentidos são a porta da má influência do mundo e da carne; os pensamentos são o principal campo de má influência do demônio. Os pensamentos são o campo de batalha, onde se travam todas as lutas do amor.
Se queremos amar a Deus, eis o grande foco da nossa atenção: os nossos pensamentos, pois eles geram as decisões que produzem as atitudes que determinam quão bons somos diante de Deus.
Resta-nos, então, vigiar e dominar continuamente o nosso pensamento, renunciando às propostas do demônio, do mundo e da carne, direcionando-o sempre para a Vontade divina.
E como isto não é possível sem o auxílio da Graça, chegamos ao ponto principal da nossa reflexão: Deus quer agir sobre o nosso pensamento, pois somente assim podemos ser santos e conquistar a glória eterna. Ele, portanto, disponibiliza a sua Graça continuamente, porque nos ama e quer nos salvar.
Mas como seres inteligentes e volitivos que somos, não podemos receber a Ajuda de Deus sem a desejarmos e manifestarmos nossa sincera intenção de obtê-la.
Para isso, a oração é indispensável. O Apóstolo São Paulo nos recomenda “todo tipo de súplicas" para permanecermos no amor.
Sim, são necessárias as petições, as meditações ou reflexões, e os exercícios de conexão com o Pensamento de Deus. Este último ponto é muito favorecido pela oração de quietude: uma atitude intencional da vontade, pela qual desejamos intensamente – em silêncio interior – que o Pesamento de Deus assuma o nosso pensamento.
A ideia é que paremos o nosso pensar e esperemos o Espírito Santo pensar em nós. Essa espera, em que a intenção pura persevera sem distrações nem pressa, é propriamente a quietude da oração, que pode se dar tanto nos momentos de recolhimento para a prece, quanto nas mais intensas das atividades. Pois a quietude é principalmente uma atitude interior, um “travar” do pensamento em Deus.
É esta a atitude que o Espírito Santo espera de nós para derramar em nosso pensamento os seus sete dons: piedade, temor (respeito), entendimento, ciência, conselho, sabedoria e fortaleza.
Por fim, saibamos que este suave esforço de se conectar ao Pensamento e à Vontade de Deus pode acontecer tanto diretamente com as Pessoas da Trindade, quanto através da Santíssima Virgem Maria, ou do nosso Anjo da guarda, ou de qualquer dos santos, vivos ou já no Céu.
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