Lidando com o fracasso
Espiritualidade · Alexandre A. Tavares, 20/12/2020
Você se considera um fracasso? Calma! Não se preocupe, porque tudo está bem, e você pode até tirar proveito disso, sabia? Pois é... Quando você errar, sentir-se fracassado, ver-se impotente diante de alguma situação, ou apenas ter uma sensação de vazio, de tédio, saiba que está tudo bem, e isto pode ser até um grande presente de Deus. E isto acontece justamente porque Deus nos ama.
Deus nos criou à sua “imagem e semelhança”, ou seja, somos inteligentes e temos vontade livre. E essa nossa capacidade intelectual livre, por ser “divina” (pela semelhança com Deus) nos leva a querer “ser” como Deus, “nos comportarmos” como Ele. Ora, ao mesmo tempo que “divinos”, nossa
vontade e nosso intelecto são limitados pela nossa natureza humana, e debilitados pelo pecado, tanto o Original quantos os nossos atuais.
Somos, portanto, “micro-deuses”, poderosos na medida que nos unimos ao nosso Deus Criador, e impotentes na medida que sejamos simplesmente... nós mesmos. Cheios de Deus, “tudo podemos n’Aquele que nos dá forças”; vazios de Deus, somos miséria e pecado, porque a ausência de Deus é erro, maldade, feiura e pecado.
O grande problema é quando queremos ser deuses sem Deus. E isto fazemos sempre que usamos nossa liberdade para pensar, querer e executar coisas que não estão de acordo com Deus. Ou seja, coisas que estão destinadas a dar errado, tanto pela frustração do realizar-se, quanto pelo insucesso do não se realizar. É este o procedimento padrão de Deus a respeito das coisas erradas que escolhemos: Ele as impede de se realizarem ou as deixa acontecer, para nos darmos conta de que estamos queremos algo que nos é prejudicial.
O Apóstolo nos diz que “tudo nos é permido, mas nem tudo nos convém”. Infelizmente somos mestres em desejar coisas que não nos convêm... É como se tivéssemos uma necessidade de expressar nossa liberdade “divina” (porém cega) de querer “o que quisermos”. Mas como Deus nos ama, e quer sempre o melhor para nós, a plenitude na nossa própria realização, o prêmio máximo no Céu, Ele então ou nos deixa errar ou permite que realizemos uma vontade que vai nos prejudicar e frustrar, para que aprendamos essa importantíssima lição: que nossa vontade, para o nosso próprio bem, deve estar conectada à d'Ele. Porque Ele quer sempre o melhor para nós.
É neste sentido que o insucesso, o erro, a sensação de derrota e de impotência são um “presente” de Deus, são a manifestação do amor d'Ele por nós, querendo nos ajudar a enxergar e desejar o que realmente nos convém. Aliás, a regra é: Deus nunca permite um mal, a não ser para nos permitir tirar dele um bem maior. Pode até ser que não aproveitemos a oportunidade, mas ela estará disponível.
Reconheçamos, pois, no insucesso e na frustração, uma ótima oportunidade para nos adequarmos ao melhor, para progredir, para abandonar ilusões e investirmos no que realmente é bom. Unamos a nossa vontade à de Deus, e tudo fica mais fácil.
A imagem escolhida para ilustrar esta publicação é A Criação de Adão, de Michelangelo (1475-1564). Deus é aí representado decidido, bem-disposto, “esforçando-se” para fazer uma conexão como homem, enquanto Adão parece estar fraco, desanimado. Estas atitudes são claramente refletidas na posição dos dedos de ambos. E assim é Deus para com cada um de seus filhos: está sempre atento e bem disposto a nos ajudar. Queiramos esta ajuda, conectemo-nos a Ele! Não percamos tempo querendo coisas que não são boas, verdadeiras nem belas! Unamo-nos à vontade divina e vivamos em paz interior: porque quando Ele e nós queremos a mesma coisa, nada nem ninguém podem nos impedir de ser felizes.
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