Latim - Alfabeto e principais elementos

Linguística · Alexandre A. Tavares, 14/04/2023

O alfabeto latino contém as mesmas letras usadas no português. No séc. 1º a.C. foram acrescentadas as letras “y" e “z" para a transcrição de certas palavras de origem grega. A letra “u" pode ser vogal ou consoante, confundindo-se com o “v”. Neste método, sempre que ela for consoante, escreveremos com “v”, que deve ser pronunciado como o “v" português. Também a letra “i" pode ser vogal ou consoante. Algumas transcrições trazem um “j" quando para distinguir a consoante da vogal (Jesus). Mas como ambas têm a mesma pronúncia, vamos usar apenas o “i" (Iesus). O emprego do “k" é raríssimo, podendo sempre ser substituído por “c”.

Não se usam acentos gráficos no latim, para indicar sílaba tônica. Mas utilizam-se em gramáticas e dicionários dois sinais (braquia e macron) para evitar equívocos. Nos livros eclesiásticos pode ser também utilizado um simples acento agudo (´) sobre a sílaba tônica, nos casos em que normalmente pode haver dúvida, entre paroxítonas e proparoxítonas. Não há palavras oxítonas em latim (amor = “ámor"). Os dicionários latinos usam o sinal ˘ (macron) sobre uma sílaba para indicar que ela é breve, e ˉ (braquia) para indicar que é longa. A palavra com mais de duas sílabas será paroxítona se a penúltima for longa (amabāmus = amabámus), e proparoxítona se ela for breve (Oceănus = océanus).

Quanto à pronúncia, descartaremos a “Tradicional" e a “Reconstituída”, adotando a ROMANA (oficial na liturgia católica), que se difere do português nestes casos:

a) O “ci" e o “ce" devem ser pronunciados como “tchi" e “tche" (Cicero = “tchítchero");

b) O “gi" e o “ge" devem ser pronunciados “dji" e “dje" (gestus = “djéstus" e gigantes = “djigántes");

c) O “gn" tem o mesmo som do nosso “nh" (agnus = “ánhus");

d) As consoantes duplas prolongam a vogal anterior, e devem ser bem pronunciadas (stella = “stel-la");

e) Todas as letras devem ser bem pronunciadas, especialmente o “m" final: præmium = prémiumª (como se houvesse um “a" no final, não pronunciado);

f) O “t" e o “d" diante do “i" não devem ser pronunciados “tchi" e “dji”, mas sim “ti" e “di”, como no italiano ou no espanhol; o mesmo vale para o “t" no final de palavras.

g) O “ch" soa sempre como “k" (brachium = “brákiumª");

h) O “ph" soa como “f" (philosophus = “filósofus");

i) O “sc" diante de “e" e de “i" soa como “ch" (descendit = “dechéndit");

j) A sílaba “ti" soa como “tsi" quando seguida de vogal (patientia = patsiéntsia), exceto se estiver no início de palavra ou se for precedida por “s”, “x" ou “t" (tiaras, ostium, mixtio, Bruttium);

k) O “x" soa como “gz" entre “e" e outra vogal (examen = “egzámen"), e soa como “kç" nos outros casos (uxor = úkçor, excelsus = ekç / tchélsus);

l) Depois de “q" o “u" é sempre pronunciado (aquila = áqüila);

m) O “z" soa como “dz" (zelus = dzélus).

Não existem artigos em latim.

Além do masculino e do feminino, existe o gênero NEUTRO.

Em latim, cada palavra tem uma terminação (DESINÊNCIA) específica, segundo a função [sintática] desempenhada na frase.


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