Jesus, doçura sem romantismo
Alexandre Augusto Tavares, 23/4/25
· Apologética ·
Vivemos numa época de liberalismo, relativismo e condescendência ecumênica para com todo tipo de “mal não agressivo”. Essa mentalidade poderia se expressar assim: “Se um crime não me machuca, então não me importo com ele, pode existir sem problema.”
É um auge de egoísmo e desprezo para com Deus. Crimes contra a ordem natural, contra os Mandamentos divinos e até contra o próximo causam indiferença, desde que não afete o meu ego: esta é a deplorável filosofia neopagã e anticristã que reina em grandíssima parte dos 8 bilhões de habitantes da terra em 2025. Triste realidade, que destoa diametralmente da caridade evangélica pregada por Jesus.
O próprio Homem-Deus é desfigurado e desvirtuado por esta mentalidade, criando um Cristo liberal deturpado.
Cenas como, por exemplo, Jesus recriminado os judeus que queriam apedrejar uma prostituta, são usadas para confeccionar um Messias doce e complacente com o pecado, quando, tanto ao escrever os pecados pessoais dos que agrediam a mulher, quanto livrando-a da morte, o recado era claro: “Deixem o pecado, amem a Deus.”
A grande e única luta de Jesus foi, sempre, o pecado. Por causa do pecado o homem fechou para si o Céu, e os homens fecharam para Jesus seus corações. Pelo pecado é que o Redentor sofreu sua terrível Paixão. Todos os males da terra têm uma única motivação: o pecado.
Portanto, na doçura de Jesus não pode haver a mínima simpatia para com o mal. Por isso era esta sua recomendação ao curar, ao expulsar demônios, ao livrar alguém de um mal: “Não peques mais!”
Aos pecadores Jesus convidava à conversão, à santidade, à perfeição. Hoje, o convite é para “acolher” os pecadores e “respeitar” suas escolhas: se adúlteros vivem em segunda união, se gays vivem pecando contra a castidade, se a pessoa é de outra religião, etc., tudo isso deve ser respeitado e aceito sem resistência, sem crítica, sem convite à conversão, por uma espécie de acordo globalizado em prol dos “direitos humanos”.
Pois é: os humanos devem ter seus direitos respeitados, mas Deus não pode exigir seus direitos de não ser ofendido.
Ora, não foi esta a atitude que Jesus nos ensinou ao expulsar do tempo os vendilhões profanos, ao deblaterar publicamente contra os fariseus hipócritas, ao recomendar sempre o abandono do pecado, e ao oferecer-se como vítima inocente para reparar, com morte assombrosa... o pecado!
Por mais que tentem desfigurar o comportamento de Cristo, transformando-O num ecumênico romântico, a realidade sempre proclamará sua integridade, sua retidão, sua justiça, sua total incompatibilidade com o mal, sua virginal intolerância para com a impureza, sua radical severidade mesmo para com os mais íntimos, sempre advertindo-os de seus erros, corrigindo-os e convidando-os à “perfeição do Pai celeste”.
Na doçura e na misericórdia infinitas de Deus não há, não pode haver, e nunca haverá qualquer tolerância romântica para com o pecado! Não é a tolerância ao pecador que o converte, mas a rejeição do pecado, como causa única de todo mal, como adversário do bem e da salvação humana.
O destino do pecador é o Inferno: sempre foi e sempre será, por mais que o romantismo crie a ilusão de que, no fim, tudo se arranjará, como no final feliz de um romance.
Atendamos, pois ao ensinamento de Jesus, e não à mentalidade atual, eivada e lambuzada de tolerância cúmplice e pecaminosa!