Irmãs briguentas

Alexandre Augusto Tavares, 9/10/2022

· Filosofia ·

Irmãs rivais

Nossa alma possui duas vontades, uma racional e outra sentimental. A racional se guia pela consciência, enquanto a sentimental se guia pelos instintos. Numa pessoa ordenada, a vontade consciente é boa, sincera, lógica, diligente, justa, age com sabedoria; mas tem que conviver com a sua irmã mais nova, a vontade instintiva, que é impulsiva, passional, malandra, preguiçosa, nem sempre se comporta como deve: às vezes se revolta como uma adolescente descontrolada, e quer impor-se à irmã mais velha.

Para melhor entendê-las, consideremos a estrutura das potências (faculdades, capacidades) em nossa alma:

Inteligência

Pensamento (cogitação)

Razão (lógica, comparativa, calculista, estimativa, avaliativa)

Consciência (bom senso, retidão, noção do bem e do mal, distinção entre certo e errado)

Vontade

Apetite racional (desejo voluntário de algo exterior)

Apetite instintivo (instinto, desejo programado em nossa natureza)

Atenção

Intenção

Decisão

Ação (movimento, da alma ou do corpo)

Sensibilidade

Percepção interna, sensação espiritual (sentimento mental, psíquico, metafísico)

Percepção externa, sensação corporal (sentimento físico, material, neural, vegetativo, ligado aos cinco sentidos)

Imaginação

Memória

Essas três potências se distinguem apenas didaticamente, pois são super interligadas. De forma que: o que pensamos, já queremos e sentimos; o que queremos, já pensamos e sentimos; e o que sentimos, já pensamos e queremos. E diante de qualquer movimento de nossa alma, sempre decidimos, ainda que a decisão seja “não decidir agora”, pois isto é também decisão.

Ora, o que mais importa no ser humano são suas decisões. Mas enquanto vivemos nesta terra, mesmo as decisões que parecem firmes e eternas podem ser mudadas ao longo da vida.

Em cada briga dessas irmãs, sempre uma está certa, e a outra, errada. A racional, se guiada pelos ensinamentos de Cristo, estará sempre certa.

Tomar decisões corretas, baseadas na razão, na consciência e, sobretudo, na fé, eis o nosso grande dever e desafio diante de Deus e do universo criado.