Inteligência alienígena intraterrestre
Alexandre Augusto Tavares, 27/6/2022
· Fábula ·
Em nossos dias a palavra alienígena remete a seres extraterrestres da ficção cinematográfica. Mas seu sentido latino original é apenas de estrangeiro, de outro lugar. Os alienígenas de que falaremos habitam camadas subterrâneas do globo terrestre.
Quando o homem foi expulso por Deus do Paraíso, não conhecia a vida neste Vale de Lágrimas para o qual foi exilado como castigo por seu orgulho e desobediência. No jardim do Éden não era necessário plantar, caçar ou defender-se de animais selvagens. E agora, na terra, devia abrigar-se do mau tempo, defender-se das feras e produzir seu próprio alimento. Mas como, se não conseguia sequer distinguir uma erva saudável de outra venenosa?
Para que Adão não morresse antes de povoar a terra, Deus enviou-lhe um anjo, que lhe ensinou a ciência de sobreviver. E este precioso conhecimento primevo, Adão o transmitiu a seus filhos.
Caim era o primogênito, e Abel foi o segundo. Mas enquanto este buscava em tudo agradar a Deus, aquele era maldoso e revoltado. E, por inveja, matou com suas próprias mãos seu irmão Abel.
Caim foi então amaldiçoado por Deus e fugiu com sua família para um lugar chamado Nod, onde construiu uma cidade, à qual deu o mesmo nome de seu filho: Henoc.
Adão teve depois outro descendente, Set, que substituiu Abel enquanto posteridade abençoada por Deus. Contudo, por um desígnio misterioso da Providência, não foi Set, mas Caim o herdeiro da ciência de Adão. E é na estirpe amaldiçoada dos caimitas que focaremos nossa história.
Com efeito, Lamec, quinto descendente de Caim, era seu grande admirador, e o homenageou pondo em um de seus filhos o nome “Tubal-Caim”. Desde muito cedo Tubal se destacou pela curiosidade e inteligência. Caim o amava e, já centenário, passou a instruir-lhe pessoalmente na ciência da vida, que herdara de seu pai Adão. Assim, Tubal tornou-se o homem mais sábio de seu tempo.
Descobriu como garimpar e fundir metais, e com eles fazer toda sorte de artefatos úteis. Desenvolveu técnicas de perfuração de minas, para extrair principalmente ferro e cobre. Criou seus filhos numa dieta rica em alimentos especialmente cultivados por ele, para que, sendo fortes e saudáveis, pudessem trabalhar mais eficazmente nas minas.
O patriarca Tubal não compartilhava facilmente seu conhecimento. Pelo contrário, fez dele uma ciência hermética, ao qual tinham acesso apenas caimitas escolhidos a dedo, que eram designados para administrar seus bens, especialmente as minas e a produção de utensílios.
Os descendentes de Tubal cresciam em estatura mais que todos os povos da terra. Desenvolviam facilmente músculos avantajados, e passaram a ser chamados de gigantes das cavernas pelos habitantes das regiões vizinhas. Eram respeitados, temidos e invejados.
Os caimitas-tubais passavam a maior parte do tempo trabalhando no interior das minas. Para facilitar a produção, começaram a aproveitar as escavações para construir salas de fundição e armazenagem dos metais.
Logo passaram a construir cômodos específicos para alimentação, descanso e lazer, que aos poucos foram servindo de moradia. E à medida que avançavam em profundidade as perfurações, novas técnicas eram desenvolvidas para lidar com a falta de ar, a ausência da luz solar e o calor. Mas isto não parecia ser dificuldade para o pequeno grupo de sábios formados por Tubal.
Sua tecnologia lhes permitia ter acesso a água potável, cultivar alimentos, criar animais e fazer quase tudo o que se fazia na superfície. Faziam grandes lagos para a criação de peixes. Faltavam-lhes, entretanto, alguns tipos de alimentos que suas técnicas ainda não descobriram como cultivar nas profundezas. Mas sobravam-lhes os recursos para adquiri-los na superfície, de modo que também isto não lhes preocupava.
Viam grande vantagem em morar nas cavernas, não apenas pelo esforço e tempo poupado, mas porque ali, tanto as riquezas produzidas quanto as famílias estavam resguardadas de ataques de ladrões, invasores e animais selvagens. Para reforçar a proteção das entradas, havia uma estrutura fortificada, com vigia permanente em guaritas.
E assim as instalações subterrâneas foram se tornando sempre mais seguras, confortáveis e amplas, conforme o aumento da prole e da produção. Minas próximas começaram a ser interligadas por túneis quilométricos, dando origem a grandes bairros e até cidades, a mais de 40km de profundidade.
Nessas profundezas não há água, mas são facilmente canalizadas pelo desnível das perfurações. Inicialmente a refrigeração era feita através da criação de paredes de água. Depois, desenvolveram-se outras técnicas envolvendo os próprios metais.
Um detalhe importantíssimo da história tubal é que suas profundas moradias intraterrenas lhes proporcionaram não serem minimamente afetados pelas águas superficiais do Dilúvio universal. Mantiveram, portanto, a continuidade de sua estirpe, desde Caim até nossos dias.
Habitando o vasto interior da terra, não tinham interesse em guerrear com outros povos, pois podiam construir suas cidades até debaixo dos mares. E para tudo o mais que precisassem adquirir, sobravam-lhes riquezas produzidas para negociar.
O povo tubal formou uma civilização paralela à da superfície terrestre. Seu contato com a superfície se restringia ao comércio, que era realizado pelas pessoas de estatura menos elevada, para não chamar a atenção.
Mantiveram-se sempre muito bem informados sobre tudo o que ocorre na superfície. Para garantir seus negócios, tornaram-se mestres da influência política, o que não é difícil para quem tem tantos recursos de barganha.
Para um povo tão criativo dotado de tanta ciência, nada parece ser obstáculo. Mas, sim, há algo em que os intraterrestres são falhos, e muito: sua relação com Deus.
Quando Caim fora amaldiçoado e se distanciou de Deus, tornou-se um cultuador da natureza, principalmente da terra. Este culto se propagou entre seus descendentes, passando por Tubal e seus filhos.
Sua religiosidade se baseia em duas ideias centrais: uma, de que tudo é divino (panteísmo); e outra, de que há dois deuses (dualismo): o “Pai” (o deus bom) e o “Criador”, chamado Demiurgo (o deus mau, orgulhoso). Os tubais acreditam que o ser humano foi criado por um ato irresponsável do deus mau, que “prendeu” nossos espíritos “divinos” em nossos corpos defeituosos. Mas acreditam que há como “corrigir” este “erro” do Demiurgo: basta “desprender” o espírito, através de um conhecimento intuitivo superior. E para chegar a esse conhecimento, contam com a iluminação sobrenatural do Pai, que entretanto foi preso no centro da terra pelo Demiurgo.
Não é, pois, por mera coincidência ou conveniência que os tubais tenham decidido viver nas profundezas da terra: é porque lá eles se sentem fisicamente mais “próximos” do Pai e mais longe do Criador.
Um acontecimento muito marcante na história dos intraterrestres foi a Encarnação de Jesus. Para eles, trata-se do ato mais ousado do Demiurgo, que se fez homem para mostrar ao Pai e aos homens que a sua criação é boa e perfeita.
Por esta razão, os intraterrestres se tornaram os maiores adversários do cristianismo. Desde o início do catolicismo, trabalharam empenhadamente para infiltrar na Igreja de Cristo suas ideias panteístas e dualistas.
Um dos principais movimentos anticatólicos criado pelos caimitas é o catarismo, surgido a partir dos anos 1100. Após a categórica reação da Igreja Católica contra os cátaros (ou albigenses), eles se esconderam, e passaram a trabalhar camuflados. Criaram sociedades secretas, como a maçonaria, uma contra-igreja que conseguiu adeptos por todo o mundo, com o foco do aliciamento em pessoas influentes.
Pelo visto, esta luta entre caimitas e a Igreja se prolongará até o fim do mundo. De seu lado, a Igreja conta com a promessa de seu Fundador, de que “as portas do Inferno não prevalecerão contra ela” (cf. Mt 16,18). Mas a ousadia e o ódio do inimigo não poupa esforços para infiltrar-se e minar a ortodoxia cristã. E infelizmente tem tido grande sucesso nesta tarefa. É o que indica a espantosa afirmação de Paulo VI, há exatos cinquenta anos, na homilia de 29 de junho de 1972: “A fumaça de Satanás penetrou na Igreja.”
Um dos meios mais eficazes empregados pelos intraterrestres para enfraquecer a igreja é afastar dela os fiés através do materialismo. E para isso usam a sua tecnologia avançada. Sim, aquela mesma ciência herdada de Adão, transmitida por Caim e elaborada por Tubal e seus descendentes, foi responsável por criar cidades subterrâneas em toda a extensão da terra; edificou construções incas, maias e astecas, pirâmides e monumentos egípcios, bem como diversos templos indianos e tibetanos.
Este mesmo conhecimento caimita é hoje responsável por espalhar pelo mundo a tecnologia usada na informática. Quando surge na terra algo “novo” nessa matéria, já está ultrapassado no mundo intraterrestre. Há muito tempo criam espaçonaves com força e velocidade exorbitantes, que tomamos por discos voadores.
Estão ligados aos maiores poderes financeiros e governamentais da terra, de forma que seus representantes não passam de fantoches em suas mãos. Provocam as guerras e as pazes que mais lhes convêm.
Uma preocupação dos camitas diz respeito às minas. Embora suas instalações estejam em profundidades inacessíveis para o geral dos terrestres, temem que algumas extrações de minérios possam atingir seus túneis de acesso à superfície. Por isso, incentivam leis de preservação da natureza e proibição à exploração de minérios.
Por fim, os caimitas têm uma meta primordial, ligada à sua religião: familiarizar-nos com o “Pai”. O Pai, que eles tomam pelo deus bom, é para os cristão o demônio, Satanás. O plano é arquitetado pelo próprio Pai das Trevas para poder, um dia, apresentar-se ao mundo e reinar. É o sonho de um revide ao Reino de Cristo. Mas ao apresentar-se como rei, Lúcifer quer não apenas que o sirvamos: quer ser adorado, como o deus injustiçado; quer que lhe prestemos culto no estado em que ele se encontra, de castigado e sofredor asqueroso.
E para preparar o advento de Lúcifer é que se apresentam nos filmes os seres “extraterrestres” de aspecto horrendos como “amigos”, inteligentes, dotados de um conhecimento superior, capazes de solucionar grandes problemas da humanidade, como curar doenças, e evitar de várias formas a morte.
Assim como Cristo veio curando, operando milagres, apresentando-se como o Deus encarnado, assim também, agora, pretende o anticristo infernal apresentar-se à adoração, recorrendo para isto a benefícios ilusórios prodigiosos, a fim de enganar a humanidade e dela receber o culto de adoração.
Aparentemente os camitas ditam as modas e as tendências mundiais, governam a política e a economia, controlando o mundo através de seus agentes das sociedades secretas. Não obstante, há um ponto fraco dessas minhocas humanas, que as tornam tão débeis quanto o próprio demônio: a Graça divina. Eles não têm fé, não enxergam a Graça, porque são cegos de Deus.
E, neste sentido, o mundo não é deles, mas sim daqueles que com Jesus preparam na terra o Reino de Deus, um período em que Cristo será efetivamente Rei dos corações. Então, rezemos com confiança, e esperemos com fé a grande derrota que os espera: “Venha a nós o vosso Reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como Céu!”