Igualitarismo, negação de Deus

Alexandre Augugsto Tavares, 2/3/2016 - Revista Por Ali, nº 7

· Apologética ·

Igualdade versus equidade

“Liberdade, igualdade, fraternidade!” Por toda parte ainda ecoa o grito histérico da Revolução francesa, proclamando serem maléficos todo tipo de submissão e hierarquia legitimamente constituídas, bem como toda oposição as ideias revolucionárias. E assim como uma miríade de anjos maus ecoaram o grito revoltado de Lúcifer, também não faltaram nos últimos séculos aqueles que defendem freneticamente o utópico nivelamento humano.

A Revolução Protestante de Lutero já havia esgoelado contra a hierarquia religiosa e a primazia do Papa; a Revolução Francesa veio achatar a hierarquia social, destronando a monarquia; o Comunismo tentou impor a igualdade de relações trabalhistas e familiares, atentando inclusive contra o direito natural de propriedade; a Revolução da Sorbonne quis impor a anarquia, sob o lema “é proibido proibir”; neste inicio do terceiro milênio, presenciamos a Revolução Genética, que, proclamando a igualdade de gêneros, quer eliminar as diferenças naturais entre homens e mulheres.

Todas estas manobras igualitárias têm um mentor comum, o demônio, que trabalha incessantemente para inverter a ordem que Deus imprimiu no universo. O inferno quer um mundo do avesso, incapaz de refletir a Divindade.

Ora, a hierarquia é um princípio natural da ordem do universo. Não existem na criação dois seres iguais:

as pedras são todas diferentes e mesmo dois ínfimos grãos

de areia ou dois astros que iluminam o cosmo nunca são idênticos;

os vegetais são distintos, a ponto de não haver duas folhas iguais numa mesma árvore;

os animais são todos extremamente desiguais;

o mesmo se diga em relação aos seres humanos, mesmo quando gêmeos, por mais semelhantes que aparentem;

no mundo angélico, a hierarquia é ainda mais acentuada, e os próprios demônios ─ que trabalham incessantemente para subvertê-la ─ estão a ela submissos;

por fim, até na Santíssima Trindade, em que as Pessoas divinas são idênticas, existe uma relação desigual, na qual o Pai é quem gera o Filho, e de ambos procede o Espirito Santo.

Pelo que se conclui que ser militante da igualdade é opor-se a ordem natural da criação, é revoltar-se contra Deus, o Autor da hierarquia universal.

Dentre os numerosíssimos santos que viveram neste Vale de Lágrimas, nenhum foi igualitário, pois nada há de mais hierarquizante do que a santidade.

É claro que sempre houve e haverá abuso de autoridade, e até o Homem-Deus foi vítima disso. Mas, como reza o direito romano, abusus non tollit usum (o abuso não impede o uso). Porque a hierarquia desprovida de injustiça e embebida de santidade é o padrão perfeito de ordem natural. Não é a desigualdade que produz a injustiça, mas sim o pecado, que, aliás, é sempre um ato de igualitarismo.

Amemos, pois, apaixonadamente as desigualdades, porque elas são um reflexo incontestável da divina Perfeição.