Godofredo de Bouillon
Alexandre Augusto Tavares, 2/9/2015 - Revista Por Ali, nº 1
· História ·
No início dos anos mil, a cidade santa de Jerusalém estava sob o domínio muçulmano. Ali haviam-se dado todos os episódios narrados pelos Evangelhos, ali o Homem-Deus viveu e redimiu o gênero humano. Uma das mais preciosas relíquias de Jesus era o Santo Sepulcro, onde seu Corpo permaneceu três dias sepultado, antes da Ressurreição.
Atendendo a uma solicitação do imperador bizantino, que pedia socorro aos cristãos da região, o Papa Urbano II decidiu em 1095, convocar nobres guerreiros cristãos para reconquistar Jerusalém.
Foi então que o Duque da Baixa Lorena e de Bouillon (pronuncia-se “buiõ”), Godofredo, conhecido por sua gentileza para com todos, homem reto, pacífico, casto e piedoso, ruivo de formoso aspecto e elevada estatura (cf. Weiss, Historia Universal, vol. V, p. 467), organizou na França uma gigantesca expedição, reunindo dezenas de milhares de guerreiros, nobres em sua maioria, montados e a pé.
Partiram no ano seguinte rumo ao Oriente Médio e, ao cabo de mais de um ano, estavam em Jerusalém, prontos para a batalha. Era o início da primeira Cruzada.
Os cristãos tomaram Jerusalém numa batalha sangrenta, que aterrorizou os inimigos. O historiador Guilherme de Tyro assim se expressou: “Foi um juízo de Deus, que os que haviam profanado o Santuário do Senhor com ritos supersticiosos, e o haviam tirado do povo fiel, expiassem o crime com seu próprio sangue e extermínio.” (Idem, p. 479)
Contam as crônicas que, com um só golpe de espada, Godofredo partiu ao meio um adversário (cf. Guibert de Nogent, Gesta, vol. VII, p. 11) A fama de sua força se espalhou rapidamente. A tal ponto que, um tempo depois de consumada a vitória, já estabelecido o Reino Latino de Jerusalém, um emir quis comprovar o poder dos braços de Godofredo. Trouxe-lhe um camelo e desafiou o guerreiro a cortar o pescoço do animal com um só golpe. Godofredo empunhou a espada e, para o espanto de todos, com um único golpe, decepou o camelo (cf. Weiss, op. cit. p. 482). Perguntaram, então, de onde lhe vinha tanta força. Ao que o Cruzado respondeu: “Da pureza.”
Quando se tratou de eleger um rei para governar a cidade, alguns príncipes declararam previamente que não desejavam ser eleitos para cargo tão oneroso. Godofredo, por sua vez, ao ser escolhido por unanimidade, indagou: “Como posso ser coroado onde puseram em Cristo uma coroa de espinhos?!” Por isso, fizeram-lhe uma coroa de ouro, porém de espinhos, que ele aceitou usar, mas sem o título de rei. Pelo que foi honrado como Duque e Defensor do Santo Sepulcro. (Cf. The Catholic Encyclopedia, online edition.)
Após outras batalhas exitosas, faleceu em 110, aos 39 anos de idade, e foi enterrado na igreja do Santo Sepulcro.