Genioanálise
Guto Tavares, 4/6/2019
· Geniologia ·
A ideia central da geniologia
A geniologia gravita em torno da ideia central de que o ser humano é um reflexo da Santíssima Trindade. Não apenas no sentido óbvio de que as criaturas refletem o Criador, mas especificamente pelo fato de sermos feitos à imagem e semelhança de Deus.
E esta semelhança se manifesta na arquitetura do nosso ser. As três potências da alma – Inteligência, Vontade e Sensibilidade – espelham as Pessoas trinitárias, respectivamente Pai, Filho e Espírito Santo. E o corpo, ligado intrinsecamente à alma, compartilha suas características de acordo numa configuração combinada, atrelada a três grandes sistemas corporais: o neural (sistema nervoso), o tonal (sistemas ósseo e muscular) e o sensorial (sistema digestivo e órgãos dos sentidos).
Temos, então, esta relação:
* Pai > Inteligência > Sistema Nervoso
* Filho > Vontade > Sistema Ósseo e Muscular
* Espírito > Sensibilidade > Sistema Sensitivo e Digestivo
Na geniologia, portanto, gênio não é apenas um perfil psicológico, mas a arquitetura da alma combinada com a estrutura corporal, de forma que o corpo é o desenho, a materialização das características mentais.
A lógica matemática dos gênios
A partir deste princípio relacional, temos os três gênios Primários:
Neural (711)
Tonal (171)
Sensorial (117)
Mediando esses 3 primários, estão os quatro gênios Secundários:
Maioral (441)
Passional (144)
Lassal (414)
Primoral (333)
E intermediando os primários e secundários, estão os demais 21 gênios, cujos nomes são combinações dos 7 pivôs.
Ao dispormos os 28 tipos humanos no Triângulo dos Gênios, torna-se clara a lógica matemática da arquitetura humana representada pelos números.
Como são três os vetores do Triângulo, o primeiro algarismo é o grau de neuralidade; o segundo, de tonalidade, e o terceiro, de sensorialidade.
De modo que 621 significa que o gênio tem 6 de neural, 2 de tonal e 1 de sensorial. O equilíbrio está no centro do Triângulo: 333. O extremo neural é 711, o extremo tonal é 171, e o sensorial é 117.
O mínimo é 1 porque todo ser humano possui sempre os 3 sistemas. Portanto, se 2 vetores tiverem intensidade mínima (1), obrigatoriamente o terceiro terá o máximo 7 (para manter sempre o total 9). Fica, então, fácil entender a lógica dos números dos gênios.
A análise geniológica (ou genioanálise) é uma importante ferramenta da genioterapia, tratamento criado sob a luz da filosofia, da teologia e da espiritualidade católicas, com o propósito de dar ao homem um autoconhecimento robusto, faciliando-lhe sanar suas dificuldades psicossomáticas, e progredir na prática das virtudes cristãs.
Criação do Triângulo dos Gênios
Foi no início deste milênio que começamos nossa jornada de descobertas geniológicas.
Inicialmente, nossa lógica psicossomática se baseava na ideia de que os biótipos de William Herbert Sheldon († 1977), associando-os às três potências da alma.
Como se tratava de uma tríade, inserimos os biótipos nas pontas de um triângulo, buscando discernir como seriam os tipos intermediários.
Notamos então que havia uma relação entre os tipos de Sheldon e os biótipos de Wilhelm Reich († 1957) e Alexander Lowen († 2008). Ao tentarmos distribuí-los no Triângulo, vimos que três deles equivaliam aos de Sheldon. E os outros dois pareciam ter lugares óbvios no triângulo: um entre o neural e o tonal, e outro no centro do triângulo. Formou-se ali o esboço de uma teoria que clamava por finalização.
Faltava encontrar a descrição de mais 2 gênios, um que fosse intermediário entre tonal e sensorial; e outro que estivesse entre sensorial e neural.
A observação e a lógica nos levaram a perceber que havia no triângulo uma relação de tese e antítese, de modo que o intermeditário entre duas pontas era o contrário da ponta oposta. Não foi difícil, então, começa a delinear o perfil dos 3 gênios ausentes: um devia ser o contrário do neural, e outro, o contrário do tonal, cujas características eram bem conhecidas.
E então, guiados por essa lógica triangular, deduzimos os outros dois intermediários faltantes para chegar aos 7 pivôs.
A partir daí, ocorreu de forma natural o processo de completar os 21 tipos restantes, que eram combinações dos pivôs, e chegarmos aos 28 perfis do Triângulo dos Gênios.
Embora haja tantos biótipos intermediários quanto as cores intermediárias que medeiam as primárias e secundárias, durante nossas experiências chegamos à conclusão de que 28 é um número ideal, abarcativo e satisfatório.
Genioanálise e Genioterapia
Sendo a alma invisível, é pela aparência do corpo que chegamos ao reconhecimento do gênio psicológico.
Sheldon estabeleceu uma ótima base de reconhecimento para os três tipos Primários (neural, tonal e sensorial). Reich e Lowen colaboraram para a descrição psicológica de dois dos nossos gênios intermediários, o maioral e o primoral. Entretanto, nossa descoberta da tese e antítese triangular foram a chave para entender e descrever com precisão o conjunto dos 28 gênios.
Aplicando esse conhecimento aos nossos atendimentos psicológicos realizados principalmente no período da pandemia (2020-23), notamos um progresso vertiginoso na eficácia de nossos tratamentos. Foi então que demos a esta técnica o nome de genioterapia.
Após a pandemia, a genioterapia foi direcionada à orientação espiritual católica, pois é este o seu nicho mais adequado, em virtude da base doutrinária teológica e filosófica que sempre a regeu.
Precisão da análise
É importante destacar que a arquitetura psicossomática revelada pela genionálise mostra uma configuração situacional do indivíduo, enquanto o perfil pscicológico pode variar sem alterar necessariamente o formato do corpo.
Por exemplo, ao comparar fotos de uma mesma pessoa tiradas em épocas diferentes, é possível notar pequenas variações de gênio. E ainda, fatores como traumas, fortes experiências de vida (positivas ou negativas) e grandes esforços ascéticos podem alterar alguma inclinação natural.
Mas, como dizem os franceses, chassez le naturel et il reviendra au galop (retire o natural, e ele voltará ao galope), ou seja, por mais que você tente mudar ou esconder a sua verdadeira essência, ela sempre acabará voltando à tona ou, pelo menos, te influenciando. Por isso, o mais provável é que essas mudanças não ocorram, e que prevaleça o nosso provérbio "pau que nasce torto, morre torto".
Há, porém, uma exceção para esse ‘engessamento’ do gênio: a Graça divina. Pois, com a ajuda sobrenatural, o ser humano pode superar tendências negativas de seu gênio. E disso a história dos Santos nos dá abundantes exemplos.
Contudo, esta exceção não diminui a importância da genionálise, pois, como afirma São Tomás de Aquino, “a graça não anula, mas supõe e aperfeiçoa a natureza”.