França, primeira nação católica

Alexandre Augusto Tavares, 2/8/2016Revista POR ALI, nº 12

· História ·

O batismo de Clóvis

O batismo de Clóvis, rei dos francos

Antes de sua ascensão ao Céu, foi o próprio Jesus que declarou o caráter “católico” (universal) de sua igreja, quando ordenou: “Ide por todo o mundo, pregai

o evangelho a toda criatura.” (Mc 16,15)

Obedecendo, pois, ao divino mandato, a primeira comunidade cristã, iniciada em Jerusalém, começou a espalhar-se pelos arredores.

A conversão de Paulo e suas viagens apostólicas marcaram o início de um grande avanço na expansão da igreja primitiva pela bacia do Mediterrâneo. Galgou os territórios do império romano, chegando a estabelecer sua sede principal em Roma, o que lhe acrescentou ─ aos de “católica” e “apostólica” ─ o título de “romana”.

Entretanto, não havia ainda uma nação que se declarasse totalmente “católica”. Mas foi precisamente o que se deu com um povo vizinho do Império Romano ─ onde já havia cristãos estabelecidos ─, quando um chefe bárbaro se converteu.

Seu nome era Clóvis, um jovem pagão que, aos 15 anos recebera o título de “rei dos francos”. Tornou-se grande guerreiro, senhor de um território em constante crescimento, por força do povo aguerrido e conquistador que formara.

Providencialmente, em 492, aos 25 anos, Clóvis casou-se com Clotilde, uma princesa já cristianizada, reconhecida por sua beleza e por suas assinaladas virtudes. Como era de se esperar, a rainha católica desejava ardentemente a conversão de seu esposo. E um grande passo neste sentido se deu quando conseguiu de Clóvis autorização para batizar o primeiro filho do casal.

Em 496 encontrava-se o rei em plena batalha, na iminência de ver-se derrotado por um adversário que esbanjava bravura, quando, desesperado, invocou seus deuses. Mas como suas preces não surtiram resultado, e a derrota parecia inevitável, lembrou-se de Jesus, a quem sua esposa se referia como “o vencedor da morte e o príncipe dos séculos futuros”.

Então, com lágrimas nos olhos, Clóvis implorou em alta voz: “Jesus Cristo, Clotilde te considera o Filho do Deus vivo. Socorre-me em minha angústia, e se tu me concedes a vitória, crerei em ti e me farei batizar.”

Ao fim de sua prece, sentindo-se reconfortado, partiu decidido para o contra-ataque, percebendo que também seus homens estavam com força e ânimo renovados. E assim, ferindo o rei adversário, obrigou o exército adversário a depor as armas e pedir clemência. Satisfeito, Clóvis aceitou cordialmente a submissão e pôs fim à guerra.

Desde então, abraçando definitivamente o catolicismo, Clóvis se faz batizar na Catedral de Reims, numa solene e histórica cerimônia, presidida pelo bispo São Remígio.

Impressionados pelo milagre tão repentino e improvável que lhes deu a vitória naquela batalha, os guerreiros e vassalos de Clóvis seguiram seu rei e, um a um, foram aderindo ao “Deus de Clotilde”, constituindo um sólido e memorável reino católico, que marcou o início da cristandade medieval europeia.

E assim a França se tornou a fille aînée de l’Église, ou seja, a “filha primogênita da Igreja”, a primeira nação católica a considerar-se totalmente católica.