Exercício de união com Deus

Alexandre Augusto Tavares, 23/6/2022

· Espiritualidade ·

Menina concentrada, orando

A prática de união com Deus aqui proposta se faz num ato tríplice:

PARE. Silencie, todas as atividades do corpo e da mente.

SOLTE. Desconecte-se de todo o mundo exterior, bem como dos pensamentos, desejos e sentimentos, como se você estivesse para entrar num sono profundo, durante o qual nada e ninguém merece a tua atenção.

UNA. Queira estar totalmente conectado a Deus, adorando-O em silêncio.

Não importa se você sente algo ou não, ao fazer este ato; o simples querer faz com que eles realmente aconteça (para Deus e para você), produzindo os frutos da união com o Espírito Santo.

A prática habitual deste ato de união fará com que você consiga executá-lo num único movimento tríplice da vontade, que, simultaneamente: para (as atividades mentais e corporais controladas pelo amor-próprio); se desconecta (do mundo e de si mesmo); e se prende (em Deus).

Note que o primeiro movimento é de PARAR. Neste exercício meditativo prático de união, a gente para fisicamente (por exemplo: sentando-se, fechando os olhos). Mas a ideia é aprender a continuar neste abandono mesmo durante as atividades físicas e intelectuais, por mais paradoxal que isto pareça inicialmente.

Ou seja, existe um jeito de agir quito, em silêncio, conectado a Deus, de forma que mesmo trabalhando mente e corpo, permanecemos quietos, apenas “assistindo” Deus agir em nós, fazer por nós. E isto acontece realmente, por um simples ─ mas sincero e profundo ─ ato da nossa vontade: se queremos que seja assim, assim o será; mas se não quisermos, não o será automaticamente, pois depende desse ato da vontade.

Sacralidade

O hábito desta prática gera grande paz interior, boa disposição física e, no geral, equilibra todo o organismo físico e mental, produzindo modéstia, temperança e autocontrole na ação. Por outro lado, Deus se torna presente em quem assim se comporta, iluminado a inteligência, fortalecendo a vontade e regulando os sentimentos, ensinando-nos a agir de forma sempre mais semelhante ao modo que Ele mesmo agiria. Dá-se, então, um processo de sacralização e divinização do nosso ser.

Condição para a união

Os benefícios deste ato EXIGEM, pois, a seguinte disposição de espírito:

COMPENETRAÇÃO: a mente focada, atenta, concentrada, capaz de olhar para Deus em silêncio;

MORTIFICAÇÃO: a desconexão com o demônio, o mundo e a carne;

SUBMISSÃO: pequenez (humildade) e passividade em relação à ação do Espírito Santo;

AMOR: desejo forte e sincero de adorá-Lo acima de si mesmo e de todas as coisas, fazendo desta adoração uma união transformante.

Em suma, a união com Deus se dá propriamente no ato de amor. Mas o amor só será puro quando houver submissão, mortificação e compenetração.

Empecilhos para a união

São entraves para este estado de espírito:

a agitação do pensamento, a ansiedade, a preocupação, sinais da atividade sem Deus, ou da falta de confiança n’Ele;

o exercício físico ou intelectual excessivo, que cansa a ponto de estressar e dificulta a compenetração;

a conexão com vícios ou o que equivalha, como o apego (mesmo que lícito) a uma atividade, coisa ou pessoa.

Considera-se apego ou vício tudo aquilo que é excessivo e de que não conseguimos nos afastar, que pode ser, por exemplo: falar ou conversar demais, exibir-se, contemplar-se, cuidar do corpo e da aparência, ter prazer sensual, beber, buscar riqueza, visitar redes sociais, ouvir música, assistir vídeos ou TV, etc. Há três pontos que merecem atenção especial: dormir e alimentar-se. As gerações mais recentes têm grande dificuldade em pensar e agir sob o estresse do sono e da fome. Portanto, deve comer, beber e dormir de forma equilibrada e regular.

a falta de arrependimento sincero após um pecado (desobediência grave, ciente e voluntária a algum Mandamento).

Neste caso, é muito importante reconciliar-se com Deus, primeiro pedindo-Lhe um perdão franco, e depois na Confissão. A paz de consciência e o estado de graça são um pré-requisito para viver no estado de união com Deus.

pressa, impaciência e irritação.

o último e mais importante dos empecilhos é nossa aversão à renúncia (pelo desejo do prazer e bem-estar), mais propriamente à permanência no estado de renúncia, para o que é necessário recorrer à Graça divina constantemente, uma vez que sem ela é-nos impossível perseverar.