Eu posso mudar o mundo
Alexandre Augusto Tavares, 2/11/2015 - Revista Por Ali, nº 3
· Espiritualidade ·
Em 1917, Nossa Senhora disse em Fátima que muita gente estava indo para o Inferno. Se isso era assim cem anos atrás, o que diria a Virgem Maria sobre nossa época, em que grande parte das pessoas vive para sua satisfação pessoal, e não para Deus?
De fato, o mundo precisa mudar. A humanidade está em crise, numa crise universal e abrangente. Mas, propriamente, o que precisa mudar? A política? A ética? A moral? A religião? As leis? Não nos iludamos. A causa de todos os males do mundo atual é única: o pecado. E pior: como disse o Papa Pio XII, “o maior pecado de hoje é que os homens perderam o sentido do pecado”.
O que, então, posso fazer para mudar o mundo? Muito! EU sou o meu mundo, e se EU mudar, começarei a mudar também o meu ambiente. O meu mundo está em crise porque EU estou em crise. Trata-se, pois, de saber o que precisa mudar em mim. E a resposta só pode ser uma: preciso viver segundo Cristo. Se Jesus for o Rei do meu coração, Ele será Rei do meu mundo, e começará a reinar no meu ambiente.
Mas atenção! Não adianta uma dessas mudanças de vida medíocres, em que eu me contento em frequentar a igreja no fim de semana, a fazer diariamente umas orações frouxas, a viver uma fé tíbia, de entrega incompleta. Como o mundo caiu muito fundo, ninguém se mantém de pé na virtude com uma fidelidade parcial: a mudança tem que ser radical e sem reservas!
E para isso, preciso começar a fazer o “certo que dói”, fazer aquelas coisas boas que contrariam a minha vontade, que sacrificam o meu ser. Fazer coisas boas que eu gosto, isto é uma demonstração insignificante de amor a Deus. Amar a Deus de verdade, acima de todas as coisas, é cumprir obrigações e realizar obras edificantes que me custam, sobretudo as que eu não gosto e não tenho inclinação a fazer. Isto sim é “tomar a minha cruz” e seguir Jesus.
Infelizmente, em nossos dias vigora a enculturação da ação pelo prazer: só devo fazer aquilo que me apraz, aquilo no que me sinto bem, aquilo que gosto. Não, este não é o caminho do céu! “O céu é dos violentos” (que sacrificam sua vontade própria). É preciso ágere contra (agir contra), como ensinou Santo Inácio de Loyola: fazer o bem contrário à nossa vontade desordenada.
Se não for assim, o que significa seguir as exortações feitas por Jesus no sentido de “abandonar tudo” para segui-Lo? Qual o sentido de “quem perde sua vida por mim, a encontrará”? Contrariar a própria vontade é entregar a Deus o que temos de mais arraigado, de mais íntimo, é dar a Ele o nosso ser inteiro. E isto não é agradável.
Este sacrifício equivale a uma morte, é um pacto forte com Deus, um holocausto radical, que pouquíssimas pessoas estão dispostas a oferecer.
É comum encontrar pessoas que se desvelam no apostolado, em atividades exteriores e até na oração, mas esta entrega interior da vontade ─ a maior demonstração de amor ao Criador ─ é rara. Entretanto, uma mudança deste quilate é capaz ─ através da comunhão dos santos ─ de mudar efetivamente o mundo ao meu redor. Este é o poder que está nas minhas mãos.