El Cid Campeador

Alexandre Augusto Tavares, 2/7/2016 - Revista Por Ali, nº 11

· História ·

Estátua de El Cid Campeador

Rodrigo Diaz de Vivar, apelidado El Cid Campeador ou Mio Cid, nasceu em Burgos, em meados do século XI, para marcar a história da Espanha medieval como um dos guerreiros mais notáveis de seu tempo.

Foi educado junto ao infante Sancho, filho primogênito do Rei Fernando I de Castela e Leão, e tornou-se cavaleiro do reino, nomeado alferes real aos 22 anos.

Seu prestígio começou a crescer quando saiu vitorioso no combate contra o cavaleiro navarro Jimeno Garcés, para resolver problemas fronteiriços. Foi então que recebeu o apelido de Campeador, que significa “lutador”.

Venceu ainda outras batalhas que lhe aumentaram a fama de bom guerreiro, e que inspiraram escritos lendários sobre sua pessoa.

Com a morte de Sancho II o Forte, durante uma batalha em 1072, seu irmão Afonso VI tornou-se o soberano do reino.

O novo monarca ofereceu então a Rodrigo a mão de sua sobrinha Jimena Diaz, e o casamento se realizou dois anos depois.

Desafortunadamente, em 1081 o Campeador organizou, sem consentimento real, uma expedição para conquistar Toledo, e a empresa foi mal-sucedida. Desagradado, o rei Afonso o desterrou e mandou confiscar seus bens.

Partiu então com 300 guerreiros rumo ao oriente da península.

O rei mouro de Saragoça aceitou seus serviços, na luta que mantinha contra seu irmão, o rei de Lérida, Tortosa e Dênia, que por sua vez tinha do seu lado o reino de Barcelona.

Foi durante suas exitosas batalhas ocorridas entre 1082 e 1084 que Rodrigo recebeu o apelido de Cid, derivado de “sidi”, que em árabe mourisco significa “senhor”.

Em 1086, o rei Afonso VI foi derrotado em Sagrajas, o que propiciou a reconciliação com Rodrigo Diaz. O monarca lhe ofereceu, então, importantes domínios em Castela.

Entre 1087 e 1089, o Cid obrigou alguns monarcas muçulmanos a pagar tributos a Castela e Leão, e impediu que Valência fosse invadida pelos maometanos.

Mas um novo desentendimento com Afonso VI obrigou-o a voltar ao oriente peninsular, passando a proteger desta vez o governo de Al-Cádir, em Valência.

E após o assassinato de seu protegido, decidiu agir por conta própria. Assim, em 1094 atacou o exército muçulmano em Valência e a sitiou, conseguindo tomá-la no ano seguinte, estabelecendo ali seu principado.

Quatro anos depois, o “Príncipe Rodrigo o Campeador” dedicou à Virgem Maria a catedral de Valência, tendo falecido quinquagenário no ano seguinte, de morte natural.

Assim foi chamado quando tomou Valência e ali estabeleceu um governo soberano e autônomo. Mas por humildade não aceitou o título, e enviou uma comitiva ao rei de Castela, oferecendo-lhe a coroa. Por isso, o Cantar de Mio Cid comenta, numa de suas mais famosas frases: “Que bom vassalo seria, se tivesse um bom senhor...”

Agora sob o comando de Dona Jimena, o principado cristão conseguiu manter-se ainda dois anos em Valência, até que, em 1102, não resistiu à força dos ataques árabes.

Coma ajuda de Afonso VI, família e servidores do Cid deixaram Valência, levando consigo os restos mortais do Campeador, que foram inumados no mosteiro de São Pedro de Cardeña em Burgos, sua província natal. E hoje encontram-se na Catedral, num mesmo sepulcro com sua esposa Jimena.