Configurados para a Felicidade

Alexandre Augusto Tavares, 2/8/2016 - Revista POR ALI, nº 12

· Espiritualidade ·

Bebê deitado na cama, sorrindo

Não há dúvida de que o homem é configurado por Deus para ser feliz. Por ele tende a buscar constantemente a felicidade em sua vida.

Mas não está em seu poder determinar sempre o como, quando e onde ela deve acontecer. Na verdade, a plena felicidade não é para esta terra: está reservada para quando nos encontrarmos face a face com Deus, após a morte.

Embora o normal da vida humana seja passar a maior parte do tempo numa espécie de limbo ─ onde não se vive grandes sofrimentos nem grandes alegrias ─, está reservada, para cada ser humano, uma cota de felicidade aqui na terra. E há basicamente duas formas de gozá-la: uma, com Deus; outra, sem Deus.

Quando se escolhe ser feliz sem Deus, entra-se por um caminho extremamente perigoso, em que a ausência da felicidade pode levar à depressão, ao desespero e, em casos extremos, até ao suicídio. Pelo contrário, quem escolhe ser feliz com Deus, chega a encontrar, mesmo na dor, razões suficientes para atravessar qualquer borrasca, porque está disposto a sofrer nesta vida, para alcançar, após a morte, a glória futura. Aliás, este é o verdadeiro sentido da vida: vencer as provações neste mundo, como condição para gozar a perfeita alegria no Céu.

Os que se põem no caminho do Senhor com seriedade e decisão estão dispostos, pois, a unir seus padecimentos aos tormentos de Cristo em sua terrível Paixão, dando assim sua colaboração à obra da Redenção. É este o símbolo da gotinha d’água que se acrescenta ao vinho na missa: o vinho simboliza o preciosíssimo Sangue de Cristo; e a água, a nossa parte de imolação.

Deus nos pede, sim, uma vida de sofrimento, mas quando a aceitamos, Ele nos dá alegrias; o demônio, pelo contrário, nos oferece uma vida de prazer, mas quando a aceitamos, ele nos dá frustrações... Eis a grande diferença entre o que nos dá o Pai do Céu e o “pai da mentira”.

Quando, para servir a Deus, alguém renuncia a uma vida de prazeres, o Senhor “não resiste” em dar-lhe, de vez em quando, suas consolações, que são como gotinhas de glória caindo sobre nós para nos alimentar a esperança da felicidade celeste.

Mas não devemos buscar essas consolações, nem sequer aguardá-las. Pois o verdadeiro cristão vive da fé, glorificando, louvando e servindo a Deus simplesmente porque Ele é o Criador e o Redentor, único digno de nossa adoração.

Curiosamente, é difícil para o ser humano aceitar na prática ─ e mesmo entender ─ que uma vida de fé e de caridade não necessita “sentimentos de amor” que as acompanhe. Na realidade, a fé e a caridade não residem no “sentir”, mas no “querer”. O amor não está no sentimento, mas na vontade. Amar é querer, mesmo sem sentir o amor! E quando se vive assim é que se ouve aquelas palavras de Jesus: “A tua fé te salvou.” (Mt 9,22)

Por isso, o segredo para ser feliz nesta vida é renunciar à felicidade, e viver exclusivamente da fé.