Confiança
05/01/2024, 26/2/2025
· Espiritualidade ·
Este pequeno quadro da Virgem Maria, sob a invocação de Nossa Senhora da Confiança, se encontra no Pontifício Seminário Maior, em Roma.
A confiança é uma virtude que engloba a fé, a esperança e a caridade. E sendo elas as principais virtudes cristãs, podemos dizer que, em relação a Deus, confiar é amá-Lo plenamente. E como são pouquíssimos os que amam a Deus de verdade, a confiança é a mais rara das virtudes.
A seu modo, todo mundo é desconfiado. E a desconfiança mina a relação com Deus, porque a intimidade com Ele exige aquela entrega cega e incondicional que só a confiança proporciona.
Por que desconfiamos? As razões são múltiplas, geralmente ligadas ao gênio de cada pessoa. Os sentimentos negativos pessoais básicos que produzem a desconfiança são sete: rejeição, incompreensão, abandono, exclusão, humilhação, manipulação e traição. A estes sentimentos fundamentais podem-se acrescentar outros secundários, como os de culpa, medo, desânimo, dúvida, desespero, ignorância, etc. Experiências negativas podem colaborar para agravar o nível de desconfiança.
As razões para confiar em Deus são igualmente múltiplas. Mas a verdade é que confiar é uma Graça, ou seja, um favor divino que só o Espírito Santo pode conceder. E assim sendo, existem algumas condições para receber esta dádiva.
Em sua plenitude, a confiança está reservada às almas que possuem um alto grau de união com Deus. E ninguém chega a este patamar de uma vez, e sim depois de muita luta, de muitas conquistas e progressos, normalmente demorados e penosos.
O grande segredo está no desejo sincero de união com Deus, que permitirá o progresso empenhado na virtude. Cada ser humano é como uma pedra preciosa, mas que nasce bruta, e cujo brilho só aparece depois de burilada e polida pelas adversidades da vida. Cada dificuldade vencida com a ajuda de Deus, aumenta a confiança n’Ele.
Como dissemos, a confiança não é como um botão, que se aperta e se começa a confiar: é fruto de experiências no progresso espiritual e, principalmente, uma Graça, que deve ser desejada e pedida intensamente.
Quão necessária é a confiança, nesses dias em que tantos distúrbios psicológicos castigam a humanidade! A confiança produz equilíbrio mental, regula a sensibilidade para gerar novas experiências de confiar.
Na verdade, desconfiar de Deus é um ato de grande ignorância, verdadeiro desconhecimento de quem seja o Criador e de como Ele quer se relacionar conosco.
A confiança nos dá a convicção de que Deus não nos rejeita, mas nos deseja; compreende-nos totalmente; não nos abandona nem se esquece de nós, mas está a todo tempo junto de nós; não nos exclui, mas nos acolhe com carinho; não nos humilha e se esquece de nós, mas vem ao nosso auxílio quando o invocamos e nos eleva e nos ajuda em tudo o que for preciso para a nossa salvação; não nos manipula, mas respeita o livre arbítrio com que nos criou; e, por fim, não nos trai, porque é sempre fiel.
Por mais que queiramos nos salvar e estar com Deus na glória por toda a eternidade, Ele quer isto muito mais que nós, pois para isso foi que nos criou.
Após o pecado de Adão, que nos tornou indignos do Céu, o próprio Deus se fez Homem para reparar nossa culpa e reabrir-nos as portas do Paraíso celeste.
Ao fazer-se Homem, Jesus não precisava padecer, mas quis, para nos demonstrar seu infinito amor, sofrer uma Paixão e uma morte dolorosíssima.
Ao partir para a glória celeste, não nos abandonou: ficou milagrosamente conosco na Eucaristia. Deixou-nos ainda a Igreja com seus Sacramentos, para nos facilitar a salvação.
O que mais poderia ter feito para nos demonstrar seu infinito Amor?! Que razão temos para desconfiar?!
Tudo está a nosso favor! Ah, sim, temos contra nós o demônio, o mundo e a carne, é verdade. Mas o que podem eles se, a nosso favor, está Deus?! O que pode o mal contra o Bem supremo?
“Se Deus está conosco, quem estará contra nós?!” (Rm 8,31) “Tudo posso n’Aquele que me fortalece.” (Fl 4,13)
Tens medo de te entregar? Somente Deus pode te livrar deste medo: joga-te n’Ele como uma criança nos braços do pai! Desconfias das tuas forças e capacidades? Estás certo! Realmente não podes nem consegues nada, mas não é mesmo de ti que esta força deve vir: Ele é tua força e proteção! Mergulha n’Ele com a certeza de que não te deixará fraquejar nem falhar!
Confiar não é agradável, principalmente no início, pois é na adversidade, na dificuldade, nos momentos de necessidade que devemos confiar. Mas que linda prova de amor é acreditar e esperar nos Senhor quando tudo grita que não vai dar certo, que é arriscado e perigoso, que não temos força, que vamos falhar, que não merecemos, que Deus não nos ama e sequer olha para nós, que não temos chance... Sim, se é de Deus e para o nosso bem, podemos ter a certeza de que tudo sairá bem. Talvez não como imaginamos, pois somos mestres em imaginar errado, mas o sucesso virá como Deus o quer, para o nosso maior bem, conforme determina a Divina Sabedoria.
Então, resta-nos pedir essa Graça de confiar, sempre e incondicionalmente, porque se Ele nos quer santos na terra e gloriosos no Céu, nada e ninguém pode nos impedir!
Sagrado Coração de Jesus, confio em vós!