Comportamento interativo de Deus

Guto Tavares, 5/9/26

· Espiritualidade ·

Jesus falando com um jovem

No Jardim do Éden, Deus se manifestava “na brisa da tarde” para “conversar” com Adão. Após o pecado do primeiro homem, Deus mudou esse comportamento, tornando-se mais “oculto”.

Durante o desenrolar da História, Deus foi manifestando ao homem decaído sua nova forma de interação. No antigo Testamento falou-nos principalmente através dos Profetas. Mas na “plenitude dos tempos”, substituiu definitivamente essa conversa da brisa da tarde pelos ensinamentos revelados por Jesus. Agora, sua eterna conversa com os homens se dá através das palavras e do exemplo do Redentor.

Jesus assumiu a interação entre Deus e o homem, manifestando-se Ele mesmo como “rosto humano de Deus e rosto divino do Homem”.

Além de nos reabrir as portas do Céu pela Redenção, Jesus deixou-nos a Igreja e os Sacramentos, como fonte de luz e força em nossa caminhada de salvação.

Na Eucaristia, o próprio Deus se dá a nós com alimento, tornando-se realmente próximo e íntimo de nós na “brisa” da Comunhão, muito mais que na conversa vespertina do Éden.

Ora, assim como seria um ato de desamor Adão faltar a uma conversa da tarde com Deus no Paraíso, como qualificar a atitude de uma pessoa que, tendo a possibilidade de receber Jesus na Eucaristia, prefere fazer outra coisa?

Por outro lado, se Deus compilasse em um livro todas as suas conversas com Adão no Éden, para que os descendentes do primeiro homem pudessem ter acesso àqueles ensinamentos, seria igualmente uma desfeita para com Deus desprezar este livro. Ora, os ensinamentos de Cristo estão compilados no Novo Testamento, acessível para nós. Não é verdade que temos uma obrigação de nos dedicarmos a conhecer e aprofundar amorosamente esses ensinamentos?

Pois, tanto a proximidade eucarística quanto o aprofundamento na Palavra estão contemplados na Santa Missa. Qual, então, a importância da minha frequência na missa para meu progresso espiritual e minha caminhada de perfeição?

Mas a missa preenche apenas uma horinha do meu dia. E o chamado à “perfeição do Pai celeste” exige de nós uma relação constante com Jesus durante o dia: precisamos estar unidos a Ele através da nossa atenção e da nossa intenção.

Em todas as atividades do nosso dia, podemos e devemos estar conectados a Jesus, olhando para Ele, conversando com Ele, e ajustando a todo instante a nossa intenção, para que seja pura e carregada de amor.

E este esforço de atenção e intenção deve estar presente principalmente durante a missa e durante as nossas orações, sob o risco de não fazermos bem estes atos tão santos.

A atenção é o constante “olhar” para Deus. Quando olhamos para Jesus, unimo-nos a Ele numa comunhão espiritual, na qual podemos expor-Lhe nossas dificuldades, pedir-Lhe conselhos e graças, agradecer-Lhe os favores, comentar-Lhe algo, ou apenas ficar junto d’Ele em silêncio, adorando-O em todos esses atos pela intenção.

Temos, então, várias formas de nos comunicarmos com Deus. Ele nos fala através de:

• Seus Mandamentos;

• Os ensinamentos de Cristo e o Magistério da Igreja;

• A nossa consciência e a nossa razão;

• O convívio com Jesus, seja na Eucaristia, seja voltando para Ele a nossa atenção e a nossa intenção.