Como manter-se no equilíbrio

Alexandre Augusto Tavares, 27/1/2021

· Geniologia ·

Pedras equilibradas

Manter-se no equilíbrio pressupõe ter chegado a ele. No estado de equilíbrio, corpo e alma ficam ordenados e ajustados de modo estável na paz de espírito e no autocontrole. Para isso são necessários, basicamente: o controle do gênio, o ajuste das potências da alma (inteligência, vontade e sensibilidade), e o rompimento com os traumas do passado.

Um meio eficaz para nos mantermos no equilíbrio é evitarmos tudo o que dele nos afasta. Para isso, consideremos que, em princípio, todo exagero leva ao desequilíbrio, e todo desequilíbrio prolongado leva a um vício original, ou seja, aquele vício que adquirimos em algum momento da vida (talvez já na infância), e ao qual sempre voltamos quando estamos desequilibrados.

A Escritura Sagrada se refere a esse vício com metáforas fortes: “O cão volta ao seu vômito” e “a porca lavada volta a revolver-se na lama”. (2Pd 2,22)

Descreveremos abaixo os caminhos mais habituais que nos levam ao desequilíbrio.

Dois são os principais, e todos os outros estão ligados a estes dois: orgulho e sensualidade.

ORGULHO: prazer de sobressair-se, sentindo-se grande em algo. Este prazer pode variar de uma grandeza insignificante, até chegar ao desequilíbrio mais gritante de considerar-se deus. O contrário do orgulho é a humildade, que consiste na visão e aceitação da realidade.

SENSUALIDADE: fruição desnecessária, inconveniente, prejudicial ou proibida dos sentidos. O oposto da sensualidade é a temperança.

Decorrentes do orgulho e da sensualidade, há vários outros estados que levam ao desequilíbrio. Aqui estão alguns dos mais comuns:

ESTRESSE: cansaço gerado pelo excesso de atividade física ou mental.

TÉDIO: sensação de vazio gerada pela falta de atividade física ou mental.

TRISTEZA: descontentamento por um incômodo.

EUFORIA: contentamento egoísta desmedido, ligado à ideia de conquista e bem-estar.

CARÊNCIA: desejo de ser atendido por outrem em alguma necessidade (geralmente afetiva).

PREOCUPAÇÃO: Atenção excessiva e desconfiada em algo.

DISSIPAÇÃO: Distrair-se de Deus, por falta de reflexão, meditação e oração.

DESCONTROLE: Falta de mortificação das potências da alma e sentidos do corpo.

ANSIEDADE ou IMPACIÊNCIA: agitação nervosa por inconformidade com alguma situação, geralmente ligada à pressa em adquirir ou afastar algo.

MEDO: desconfiança pelo receio do erro ou da dor.

GULA: desejo descontrolado de ingerir alimentos, sólidos ou líquidos.

Neste quadro, têm um papel relevante as memórias de experiências negativas, também chamadas de traumas. Enquanto não forem neutralizadas, essas memórias facilitam o desequilíbrio, ao reativarem no presente aquelas mesmas sensações ruins da situação traumática, reproduzindo medo, ansiedade, tristeza, etc.

Fique aqui bem claro que o único e verdadeiro equilíbrio é sinônimo de virtude cristã ou santidade. Não existe, pois, equilíbrio real e estável a não ser aquele ensinado pela Revelação e minuciosamente explicado por inúmeros santos e doutores ao longo dos 2 mil anos do magistério eclesiástico.