Buscai primeiro o Reino de Deus

Alexandre Augusto Tavares, 4/1/2024

· Espiritualidade ·

Ícone de Cristo Rei, sentado num trono

Assim que morremos, damo-nos conta, imediatamente, de que só uma coisa era importante na vida: amar a Deus. Amá-Lo a todo instante, em nosso pensamento, em nossas palavras e em todas as nossas ações.

Como no piscar de um flash, vemos toda a nossa vida através dos olhos de Deus, considerando cada ação não com o olhar deturpado com que as vemos nesta terra, mas com o olhar justo e santo de Deus. E nós mesmos, considerando todas as nossas ações, seremos capazes, num instante, de julgar nossa vida segundo Deus.

O mais terrível e assustador é que naquele momento, nada pode ser mudado. Uma sentença eterna ecoa em nossa consciência. De duas, uma: ou “vinde, bendito, para a glória eterna”, ou “ide, maldito, para o fogo eterno”. Porque se fomos realmente bons, somos dignos do prêmio eterno de contemplar a Deus face a face; e se não fomos dignos, devemos pagar eternamente o desrespeito e a falta de amor com que vivemos sem Deus, sem olhar para Aquele que deveria ter sido o centro de nossa atenção durante a vida. E quem o rejeita, quem o despreza não pode ficar impune, pois Ele é extremamente amável, adorável, bom, belo, misericordioso, justo! Nossa pena será, então, eternamente, o Inferno, a ausência total de Deus, o infinito remorso de não tê-Lo amado durante o tempo que Ele nos deu para isso.

Pelo, contrário, só olhamos para nós mesmos, só fizemos a nossa vontade, só buscamos o prazer, só empregamos o nosso tempo em coisas desnecessárias, e deixamos de ser e de fazer o que realmente importava.

Felizmente, estamos ainda em tempo de corrigir tudo, de reanalisar a nossa vida, as nossas prioridades, de deixarmos de fazer coisas que antes julgávamos boas e necessárias, e de fazer aquelas que são boas e necessárias aos olhos divinos.

“Buscai primeiro o reino de Deus e sua justiça, e tudo o mais vos será dado em acréscimo.” (Mt 6,33) Eis a grande lei da vida! Aqui está a razão da nossa existência: olharmos para Deus, amá-Lo, preocuparmo-nos com as coisas que O glorificam, em vez de buscar nossos interesses e prazeres.

O reino de Deus é a nossa sujeição voluntária, como vassalos, como escravos, à ação de do Espírito Santo em nossa alma; é cumprir seus Mandamento ─ “quem me ama cumpre os meus mandamentos” (Jo 14,21-26).

E então, quando nossa prioridade for permitir o reinado de Deus em nossa vontade, aí sim “tudo o mais nos será dado em acréscimo”. Tudo? Sim, tudo o que for necessário à nossa salvação.

Não estaremos livres do sacrifício, das dificuldades ─ pois “a vida é uma luta” (Jó 7,1) ─, mas Deus ama presentear os seus filhos fiéis, e lhes dá “o cêntuplo ainda nesta vida” (Mc 10,29-30)