As lágrimas de Jesus e Maria

Alexandre Augusto Tavares, 6/6/25

· Reflexão ·

Jesus chorando

Na iconografia católica existem diversas representações de Jesus e Maria em lágrimas, conforme narrado pela própria Escritura Sagrada, principalmente por ocasião da Paixão de Cristo. O que os fez chorar?

Certamente não as dores físicas. Geralmente as crianças choram quando se machucam. E isto simplesmente pela dor física. O adulto, entretanto, não costuma chorar pela dor corporal, mas sim pela dor espiritual.

A causa de terem Jesus e Maria chorado está ligada à dor espiritual causada pela perdição das almas.

Enquanto Redentor, Jesus tinha a missão de salvar o maior número possível de almas. E Maria, como corredentora, participava dessa missão, comovendo-se pela mesma razão que Jesus chorou.

No início de sua Paixão, quando orava agoniado no Horto, o Salvador verteu lágrimas de sangue, considerando a grande quantidade de almas que se perderiam, até o fim do mundo, por recusarem as graças de Deus. E esta contemplação era-lhe extremamente penosa, uma vez que nem os seus méritos de valor infinito perante o Pai eram capazes de converter a vontade de tanta gente.

A alma de Jesus se condoía ao considerar que o amor infinito de Deus fosse assim desprezado e ofendido, por pessoas que, por falta de retribuição, seriam eternamente condenadas ao suplício eterno.

Nós só poderíamos avaliar com profundidade as lágrimas de Jesus se tivéssemos uma noção mais apurada do que é a glória celeste para a qual Deus nos criou, e do que é a eterna separação de Deus no Inferno, reservada para quem não quis o Céu.

E, exatamente, a contemplação desta realidade é recomendada pelo conselho bíblico: “Lembra-te de teus novíssimos, e não pecarás jamais.” (Ecl 7,40)

Esta prática, tão salutar e propícia, está hoje bem esquecida. Muitos até a reprovam como um “método psicológico inadequado”.

Ora, não foi mostrando o inferno aos pequenos pastorinhos que Nossa Senhora os converteu em Fátima? Logo no começo do retiro espiritual de Santo Inácio de Loyola medita-se sobre o Inferno. A Igreja sempre considerou esta prática eficaz para a salvação, pois “o temor do Senhor é o princípio da sabedoria” (Prov 9,10).

Quem é capaz de avaliar a suprema felicidade da bem-aventurança e, ao mesmo tempo, a tristeza da perdição eterna, tem facilidade para entender as lágrimas de Jesus e Maria.