As crianças e as brincadeiras

Alexandre Augusto Tavares, 2/11/2015 - Revista Por Ali, nº 3

· Apologética ·

Os três pastorinhos de Fátima, após a visão do Inferno

A imaturidade da criança lhe torna inimiga das grandes responsabilidades. Aos pequenos não entregamos missões importantes, pois delas não dão conta. Isso lhes proporciona uma vida leve, alegre, sem preocupações, com tempo de sobra para correr, pular, gritar e brincar.

Entretanto, dentre as brincadeiras mais frequentes que eles escolhem está fazer alguma atividade própria aos adultos: dirigir carrinhos, cuidar de bebês (bonecas), jogar futebol imitando aos profissionais, ser professor, pai, mãe... Se o pai é pedreiro, lá está o filho brincando de construir uma casa; se é mecânico, o filhinho vive consertando carrinhos. A filha brinca de varrer a casa, lavar a louça, fazer comidinha... imitando a mãe.

Quando um grupo de crianças se reúne, logo se destacam os líderes e começam a dar ordens, ditar regras, corrigir atitudes: uma das maiores diversões da criança é brincar de ser adulto.

Isso leva a uma reflexão sobre a real necessidade ─ direta ou indiretamente tão apregoada em nossos dias ─ de incentivar ou simplesmente permitir que as crianças passem a maior parte de seu tempo correndo, pulando, gritando, dizendo bobagens, rindo e se ocupando de banalidades.

A tendência natural da criança a imitar atitudes do adulto não seria um indício de que a boa educação deveria lhe proporcionar uma maturidade mais precoce?

Não nos referimos aqui tanto às práticas concretas físicas, mas sim às atitudes morais, éticas e comportamentais. Ou seja, a boa educação não deveria incutir nas crianças, desde cedo, mais prudência, sensatez e seriedade?

Quando se pensa em educação, é indispensável nos basearmos nos dois modelos supremos, Jesus e Maria: Ele, o divino Mestre da Humanidade; ela, quem O “educou”.

Uma das atitudes mais ousadas e impressionantes neste sentido são as incontestáveis aparições da Virgem Maria em Fátima, a três pequenos pastorezinhos, cobrando-lhes penitência, oração e sacrifícios, confiando-lhes uma missão repleta de responsabilidades. Em uma das aparições, Maria chegou a mostrar-lhes o Inferno, e nas fotos tiradas em seguida são notórios os traços marcantes de horror que essa visão lhes deixou na fisionomia. Lúcia, a mais velha, tinha dez anos; Francisco, oito; e Jacinta acabara de completar sete anos...

Jesus, por sua parte, aos doze anos se pôs entre os doutores da Lei para tratar como adulto de assuntos da religião. E quando de fato já era adulto, pediu que os discípulos não impedissem as crianças de se aproximarem d’Ele. Será que era para brincar com elas? Ou seria para lhes falar seriamente do Reino de Deus?

Reflexões como estas levam à consideração de que talvez possamos ser mais exigentes com nossos filhos, sem medo de lhes prejudicar a infância. Pelo contrário, parece ser esta uma didática mais natural e produtiva.