Aprendendo um novo idioma
Alexandre Augusto Tavares, 2/8/2016 - Revista POR ALI, nº 12
· Linguística ·
O aprendizado de uma nova língua é considerado por muitos algo inacessível. Um dos desafios iniciais é a escolha do método ou curso, do qual pode depender o bom aprendizado ou... a desistência. A oferta é variada, mas um mesmo método, eficaz para uma pessoa, pode não funcionar para outra.
Por outro lado, alguns cursos custam caro. Até há, pela internet, bons cursos gratuitos, mas normalmente exigem do estudante tanta autodisciplina e autodidática, que raros perseveram, se é que chegam a começar.
Leve-se ainda em conta que estudar uma nova língua é, de certo modo, semelhante a aprender a cantar, ou seja, pressupõe um dom, geralmente inato. E a ausência do dom exigirá um esforço enorme para supri-la. Por isso, pessoas que talvez tenham passado muitos anos de sua vida alimentando o sonho de um dia aprender a falar outro idioma, deparam-se com uma grande decepção quando, ao iniciar de fato o estudo, percebem que suas aptidões não são suficientes para superar as dificuldades.
O esforço necessário para aprender uma língua varia bastante de pessoa a pessoa. Para a maioria dos idiomas mais falados ─ nomeadamente os europeus ─, existem, em geral, três esforços que, juntos, levam ao aprendizado: 1) memorização de novas palavras e expressões; 2) entendimento das regras; 3) prática, envolvendo as quatro habilidades (de ler, ouvir, falar e escrever), consagradas nos termos ingleses: reading, listening, speaking e writing.
Para dividir em porcentagens aproximadas, diríamos que esses três esforços se combinam em: 40% de memorização, 20% de entendimento e 40% de prática. Alguns métodos apostam numa maior porcentagem de prática, visando diminuir as parcelas de memorização e entendimento. Particularmente, acreditamos que este modo de pensar é mais adequado ao ensino infantil, voltado a crianças ainda não alfabetizadas ou incapazes de compreender regras gramaticais. Mas para quem já usa a razão adequadamente, a intelecção das normas facilita todo o trabalho do cérebro, uma vez que o ser humano é racional.
Outro aspecto Interessante e, para muitos, motivador da escolha de um novo idioma a ser aprendido é seu caráter cultural e histórico: cada língua está profundamente marcada pela cultura e história de seus nativos, o que geralmente é muito levado em conta pelo aspirante ─ sem querer excluir, é claro, os amantes que se deixam levar simplesmente pela sonoridade vernacular.
Por fim, um dos motivos mais alentadores para o aprendizado linguístico é seus benefícios indiretos, muito levados em conta atualmente, inclusive pela medicina. Dentre eles, podemos mencionar: o exercício da memória, que estimula seu melhor funcionamento e precavê ou atenua doenças degenerativas, como o Alzheimer; o exercício do raciocínio, que revigora a atividade cerebral, facilitando a agilidade, perspicácia e concatenação do pensamento; aumento das habilidades de dicção, expressão e oratória, que influenciam também a sociabilidade e a boa autoestima.